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Função polinomial

Grau, raízes, sinais e comportamento gráfico

Compreenda como a expressão algébrica determina os zeros, o sinal, a forma e as variações do gráfico de uma função polinomial.

Visão geral

Uma função polinomial transforma cada número real x em um valor obtido por somas de potências de x. Funções constantes, afins e quadráticas são os primeiros casos dessa mesma família; agora estudaremos o que continua válido em qualquer grau.

Um primeiro exemplo: considere P(x)=x³−4x.

Ao calcular P(3)=27−12=15, estamos obtendo a imagem da entrada 3.

Ao resolver P(x)=0, encontramos x∈{−2,0,2}, os pontos em que o gráfico encontra o eixo x.

Ao estudar o sinal de P(x), descobrimos em quais intervalos o gráfico está acima ou abaixo desse eixo.

Essas três perguntas — quanto vale, onde zera e como se comporta — organizam toda a aula.

  1. Reconhecer a função, o grau e seus coeficientes.
  2. Encontrar e interpretar raízes e multiplicidades.
  3. Ler sinais, extremidades, simetrias e variações.
  4. Reunir as informações para construir o gráfico e resolver problemas.

O que você precisa saber antes

A análise da função usa operações algébricas já estudadas. Antes de avançar, verifique se você consegue:

  • reduzir e ordenar um polinômio, reunindo termos semelhantes;
  • calcular P(a), substituindo corretamente x por um número;
  • colocar fator comum em evidência e reconhecer produtos notáveis;
  • dividir polinômios e usar o teorema do resto quando uma raiz é conhecida.
Se algum procedimento ainda não estiver claro: revise a aula Polinômios. Aqui o foco não será repetir todos os algoritmos, mas usá-los para compreender a função e seu gráfico.

As aulas de Função afim e Função quadrática apresentam, com mais detalhes, os casos de graus 1 e 2.

Definição de função polinomial

Uma função f: ℝ → ℝ é polinomial quando pode ser escrita na forma:

f(x) = aₙxⁿ + aₙ₋₁xⁿ⁻¹ + … + a₂x² + a₁x + a₀
  • n é um número inteiro não negativo;
  • a₀,a₁,…,aₙ são números reais chamados coeficientes;
  • aₙ≠0, pois o primeiro termo escrito precisa realmente existir;
  • os expoentes de x são somente 0,1,2,…,n.

Em outras palavras: cada termo é um número real multiplicado por uma potência inteira não negativa de x, e a função é a soma de uma quantidade finita desses termos.

ExpressãoÉ polinomial?Motivo
−x⁵+2x³−7SimOs expoentes 5, 3 e 0 são inteiros não negativos.
3/x+x²Não3/x=3x⁻¹ tem expoente negativo.
√x+2Não√x=x¹ᐟ² tem expoente fracionário.
2ˣ+1NãoA variável aparece no expoente.

A função constante f(x)=b também é polinomial, pois pode ser escrita como f(x)=b·x⁰.

Expressão, função, equação e identidade

A mesma escrita x²−4 pode aparecer em perguntas diferentes. O que muda é o objeto que está sendo estudado.

ObjetoExemploPergunta correspondente
Expressão polinomialx²−4Como simplificar, desenvolver ou fatorar essa expressão?
Função polinomialf:ℝ→ℝ, com f(x)=x²−4Qual saída corresponde a cada entrada? Como é o gráfico?
Equação polinomialx²−4=0Quais valores de x tornam a igualdade verdadeira?
Identidade polinomial(x−2)(x+2)=x²−4A igualdade vale para todo número real x?

Na função f(x)=x²−4, temos f(3)=5: isso é um valor da função.

Na equação x²−4=0, obtemos x=−2 ou x=2: essas são as soluções da equação e os zeros da função.

Grau e coeficientes

Primeiro escreva o polinômio em ordem decrescente e reúna termos semelhantes. O grau é o maior expoente cujo coeficiente não é zero.

Exemplo: P(x)=4+3x²−2x⁴+x².

Reunindo os termos em : P(x)=−2x⁴+4x²+4.

O grau é 4; o coeficiente dominante é −2; o termo independente é 4. Os coeficientes de e x são zero.

FormaGrauNome usualO que já conhecemos
f(x)=b, b≠00constantegráfico horizontal
f(x)=ax+b, a≠01afimgráfico em reta
f(x)=ax²+bx+c, a≠02quadráticagráfico em parábola
f(x)=ax³+bx²+cx+d, a≠03cúbicapode ter uma ou três raízes reais distintas

Não confunda: grau não é quantidade de termos. 7x⁸−2 tem somente dois termos, mas grau 8. O polinômio nulo P(x)=0 não recebe grau na convenção escolar usual.

Domínio, imagem e continuidade

Domínio natural

Toda função polinomial real pode ser calculada para qualquer x∈ℝ. Não há denominadores com variável, raízes de índice par nem logaritmos que possam proibir alguma entrada. Portanto, sem contexto adicional, D(f)=ℝ.

Imagem

A imagem é o conjunto das saídas realmente produzidas. Ela não pode ser descoberta apenas olhando o domínio; precisamos analisar a própria função.

FunçãoO que ocorreImagem
f(x)=x³A função desce sem limite e sobe sem limite.
g(x)=x²O menor valor é 0.[0,+∞)
h(x)=−x⁴+2O maior valor é 2.(−∞,2]
q(x)=5Toda entrada produz 5.{5}

Em geral, grau ímpar produz imagem . Grau par produz uma imagem limitada de um lado, mas localizar o mínimo ou o máximo pode exigir o estudo de extremos.

Continuidade

O gráfico de uma função polinomial pode ser desenhado sem tirar o lápis do papel: não possui saltos, buracos nem assíntotas verticais. Uma consequência importante é a seguinte:

Mudança de sinal: se f(a)<0 e f(b)>0, com a<b, o gráfico precisa atravessar o eixo x pelo menos uma vez entre a e b. Isso garante existência de raiz, mas não diz que ela é única.

Em um problema real, o domínio do modelo pode ser menor. Se x representa o lado de uma peça, por exemplo, o contexto pode exigir x>0, mesmo que a fórmula polinomial aceite todos os reais.

Zeros, raízes e interceptos

Os termos abaixo aparecem juntos, mas não significam exatamente a mesma coisa:

  • zero ou raiz real: número r para o qual P(r)=0;
  • solução da equação: valor de x que resolve P(x)=0;
  • intercepto no eixo x: ponto do gráfico escrito como (r,0);
  • intercepto no eixo y: ponto (0,P(0))=(0,a₀).

Assim, a raiz é um número, enquanto o intercepto é um ponto do plano.

Exemplo: encontre os interceptos de P(x)=x³−4x.

Fator comum: P(x)=x(x²−4).

Diferença de quadrados: P(x)=x(x−2)(x+2).

Pelo produto nulo, x=−2,0 ou x=2. Os interceptos horizontais são (−2,0), (0,0) e (2,0).

Como P(0)=0, o intercepto vertical também é (0,0).

Importante: uma função de grau n pode ter menos de n interceptos reais. O grau informa o máximo possível, não a quantidade que obrigatoriamente aparece no gráfico real.

Teorema do fator

Quando dividimos P(x) por x−r, o teorema do resto afirma que o resto é P(r). Portanto:

P(r)=0 ⇔ (x−r) é fator de P(x)

Em outras palavras: se a substituição x=r produz zero, então a divisão por x−r é exata. Isso permite reduzir o grau e continuar a fatoração.

Por que o teorema funciona?

  1. Escreva a divisão com resto.
    Para algum quociente Q(x) e resto constante R:

    P(x)=(x−r)Q(x)+R
  2. Substitua x=r.
    O fator r−r se anula.

    P(r)=0·Q(r)+R=R
  3. Conclua.
    Se P(r)=0, então R=0 e a divisão é exata.

    P(x)=(x−r)Q(x)
Conclusão
P(r)=0 ⇔ (x−r) é fator de P(x)

Teste r=2 em P(x)=x³−3x²−4x+12.

P(2)=8−12−8+12=0.

Logo, x−2 é fator. Dividindo, obtemos P(x)=(x−2)(x²−x−6).

Fatorando o quadrático: P(x)=(x−2)(x−3)(x+2). As raízes são −2,2 e 3.

O algoritmo da divisão e o dispositivo de Briot–Ruffini são desenvolvidos em Polinômios.

Forma fatorada e Teorema Fundamental da Álgebra

A forma fatorada revela diretamente as raízes e suas repetições. Se todas as raízes complexas de um polinômio de grau n forem r₁,…,rₙ, contando repetições, então:

P(x)=aₙ(x−r₁)(x−r₂)…(x−rₙ)

O Teorema Fundamental da Álgebra garante exatamente n raízes em , contadas com multiplicidade. Ele não afirma que todas sejam reais nem distintas.

Exemplo: fatore P(x)=x⁴−5x²+4.

Use u=x²: u²−5u+4=(u−1)(u−4).

Voltando a x: P(x)=(x²−1)(x²−4).

Aplicando diferença de quadrados: P(x)=(x−1)(x+1)(x−2)(x+2).

As quatro raízes são reais e distintas: −2,−1,1,2.

Quando aparecem raízes complexas conjugadas, seus dois fatores lineares podem ser reunidos em um fator quadrático real. Por isso, a fatoração sobre pode terminar antes de todos os fatores serem lineares.

Multiplicidade de uma raiz

Se (x−r)ᵐ aparece na fatoração e a potência seguinte não aparece, dizemos que r tem multiplicidade m.

FatorMultiplicidadeO que o gráfico faz perto da raiz
x−r1, simplesatravessa o eixo com contato comum
(x−r)²2, duplatoca o eixo e retorna
(x−r)³3, triplaatravessa o eixo, mas fica mais achatado

Multiplicidade ímpar troca o sinal; multiplicidade par conserva o sinal. Quanto maior a multiplicidade, mais achatado é o contato.

Em P(x)=(x+2)(x−1)²(x−3)³, as raízes são −2 simples, 1 dupla e 3 tripla. O grau é 1+2+3=6.

Ferramenta avançada: uma raiz tem multiplicidade m quando P(r)=P′(r)=…=P⁽ᵐ⁻¹⁾(r)=0 e P⁽ᵐ⁾(r)≠0. Essa caracterização será usada depois em problemas com parâmetros.

Raízes complexas e pares conjugados

Se todos os coeficientes de P são reais e a+bi, com b≠0, é raiz, então a−bi também é. As raízes não reais aparecem em pares conjugados.

(x−(a+bi))(x−(a−bi))=(x−a)²+b²

Exemplo: resolva x⁴+5x²+4=0.

Faça u=x²: u²+5u+4=(u+1)(u+4)=0.

Assim, x²=−1 ou x²=−4.

Em , as raízes são i,−i,2i e −2i.

Em , a função não possui zeros; de fato, x⁴+5x²+4>0 para todo real x.

Leitura gráfica: raízes complexas não produzem interceptos no plano cartesiano real. Elas contam no Teorema Fundamental da Álgebra, mas não aparecem como encontros com o eixo x.

Comportamento nas extremidades

Quando |x| fica muito grande, a potência mais alta cresce mais rapidamente que as demais. Por isso, o termo dominante aₙxⁿ determina a direção das duas pontas do gráfico.

Em P(x)=2x⁴−3x+1, compare os termos para x=10.

O termo dominante vale 2·10⁴=20 000, enquanto −3x+1=−29.

Longe da origem, os termos menores ainda alteram o valor exato, mas não conseguem mudar a direção imposta por 2x⁴.

GrauSinal de aₙQuando x→−∞Quando x→+∞
parpositivoP(x)→+∞P(x)→+∞
parnegativoP(x)→−∞P(x)→−∞
ímparpositivoP(x)→−∞P(x)→+∞
ímparnegativoP(x)→+∞P(x)→−∞
Par e positivo: as duas pontas sobem.
Par e negativo: as duas pontas descem.
Ímpar e positivo: esquerda desce, direita sobe.
Ímpar e negativo: esquerda sobe, direita desce.

Essa análise descreve somente as pontas. Zeros, máximos, mínimos e ondulações internas dependem dos outros termos.

Curvas internas diferentes podem compartilhar o mesmo grau e o mesmo sinal dominante.

Tabela de sinais

A tabela de sinais responde onde P(x) é positiva, negativa ou nula. Vamos construir a análise de P(x)=(x+2)(x−1)²(x−3).

  1. Ordene as raízes: −2,1,3.
  2. Registre as multiplicidades: 1 em −2, 2 em 1 e 1 em 3.
  3. Descubra um primeiro sinal: para x>3, todos os fatores são positivos; logo, o produto é positivo.
  4. Caminhe pela reta: o sinal troca ao passar por raiz de multiplicidade ímpar e permanece ao passar por raiz de multiplicidade par.

Acima do eixo x, o valor é positivo; abaixo, é negativo.

Portanto, P(x)>0 em (−∞,−2)∪(3,+∞) e P(x)<0 em (−2,1)∪(1,3). Para P(x)≤0, incluímos também as raízes e obtemos [−2,3].

Simetrias

O teste algébrico consiste em substituir x por −x e simplificar.

ExemploCálculo de f(−x)Conclusão
f(x)=x⁴−2x²(−x)⁴−2(−x)²=x⁴−2x²=f(x)par; simetria no eixo y
g(x)=x³−2x(−x)³−2(−x)=−x³+2x=−g(x)ímpar; simetria na origem
h(x)=x³+x²−x³+x²nem par nem ímpar
Função par
Função ímpar
Sem essas simetrias

Ter grau par não basta para a função ser par. O que importa é a presença exclusiva de potências pares. Do mesmo modo, uma função ímpar precisa conter apenas potências ímpares e ter termo constante igual a zero.

Transformações do gráfico

Se conhecemos o gráfico de y=P(x), podemos obter outros gráficos movendo ou refletindo seus pontos.

Nova funçãoMovimentoO ponto (x,y) passa a
P(x)+kk unidades para cima(x,y+k)
P(x−h)h unidades para a direita(x+h,y)
−P(x)reflexão no eixo x(x,−y)
P(−x)reflexão no eixo y(−x,y)

Se P(1)=3, então o ponto (1,3) pertence ao gráfico original. Em Q(x)=P(x−2)+4, esse ponto aparece em (3,7): 2 unidades à direita e 4 para cima.

Atenção ao sinal interno: em P(x−2), precisamos usar uma entrada 2 unidades maior para produzir a mesma saída; por isso o gráfico se move para a direita.

Construção organizada do gráfico

Antes de usar derivadas, já podemos produzir um esboço coerente reunindo as informações anteriores.

Esboce P(x)=(x+2)(x−1)²(x−3).

1. Pontas: o grau é 4 e o coeficiente dominante é positivo; as duas pontas sobem.

2. Zeros: −2 e 3 são simples, então o gráfico atravessa o eixo. 1 é dupla, então toca e retorna.

3. Intercepto vertical: P(0)=2·1·(−3)=−6, logo o gráfico passa por (0,−6).

4. Sinais: positivo antes de −2, negativo entre −2 e 3 — sem troca em 1 — e positivo depois de 3.

5. Curva: una essas informações com uma linha contínua, sem saltos, buracos ou assíntotas.

O gráfico confirma as pontas, os três interceptos distintos e a tangência em x=1.

Duas funções de mesmo grau ainda podem ter quantidades diferentes de zeros reais:

Uma cúbica com três zeros reais.
Uma cúbica com apenas um zero real.

Crescimento, decrescimento e derivada

A derivada é uma ferramenta mais avançada que mede a inclinação local do gráfico. Ela permite saber onde a curva sobe, desce ou muda de direção.

Se P(x)=aₙxⁿ+…+a₁x+a₀, então P′(x)=naₙxⁿ⁻¹+…+2a₂x+a₁
  • P′(x)>0: a função é crescente naquele intervalo;
  • P′(x)<0: a função é decrescente;
  • P′(x)=0: há um ponto crítico, candidato a máximo, mínimo ou ponto de tangente horizontal.

Exemplo: P(x)=x⁴−2x².

Derivando termo a termo: P′(x)=4x³−4x=4x(x−1)(x+1).

Os pontos críticos ocorrem em x=−1,0,1. Uma tabela de sinais de P′ indica onde a função cresce ou decresce.

Como P′ tem grau n−1, uma função de grau n possui no máximo n−1 pontos críticos reais.

Máximos e mínimos locais

Um ponto crítico só é classificado depois de observar a mudança de sinal da derivada: de positivo para negativo surge um máximo local; de negativo para positivo, um mínimo local.

Analise f(x)=x³−3x.

f′(x)=3x²−3=3(x−1)(x+1), então os pontos críticos são x=−1 e x=1.

Para x<−1, a derivada é positiva; entre −1 e 1, é negativa; depois de 1, volta a ser positiva.

Calculando as ordenadas: f(−1)=2 e f(1)=−2.

crescente−1decrescente1crescente

Logo, (−1,2) é máximo local e (1,−2) é mínimo local. Eles não são absolutos: a cúbica cresce sem limite para a direita e decresce sem limite para a esquerda.

Equações polinomiais

Resolver uma equação polinomial significa encontrar todos os valores que tornam uma igualdade verdadeira. Quando a equação está na forma P(x)=0, suas soluções são as raízes de P.

  1. Leve todos os termos para um mesmo lado.
  2. Reduza e ordene o polinômio.
  3. Procure fator comum, produtos notáveis, substituição ou agrupamento.
  4. Use raízes racionais simples e o teorema do fator para diminuir o grau.
  5. Aplique o produto nulo e verifique se todas as soluções foram encontradas.

Resolva: x⁴−5x²+4=0.

Os expoentes 4 e 2 sugerem a substituição u=x².

Obtemos u²−5u+4=0, isto é, (u−1)(u−4)=0.

Logo, u=1 ou u=4. Voltando a x: x²=1 ou x²=4.

Portanto, x∈{−2,−1,1,2}.

Quando o segundo membro não é zero

Para resolver P(x)=k, podemos escrever P(x)−k=0. Graficamente, procuramos as interseções entre y=P(x) e a reta horizontal y=k.

Cada encontro fornece uma solução real de P(x)=k.

Inequações polinomiais

Uma inequação não procura pontos isolados, mas intervalos em que o polinômio tem o sinal pedido.

  1. Escreva a comparação com zero.
  2. Fatore o polinômio.
  3. Ordene as raízes e registre as multiplicidades.
  4. Monte a tabela de sinais.
  5. Escolha os intervalos corretos e inclua as raízes somente quando houver ou .

Resolva: (x−3)²(x+1)≤0.

As raízes são −1, simples, e 3, dupla.

À direita de 3, o produto é positivo. Em 3, a multiplicidade par não troca o sinal; por isso o produto continua positivo entre −1 e 3.

Ao atravessar −1, raiz simples, o sinal muda e fica negativo.

Queremos valores negativos ou nulos. Assim, a solução é (−∞,−1]∪{3}.

Por que o ponto 3 aparece sozinho? Perto de 3, o produto é positivo nos dois lados, mas exatamente em x=3 vale zero, que é aceito pelo símbolo .

Como determinar uma função polinomial

O método depende do tipo de informação fornecida.

Quando conhecemos valores da função

Um polinômio de grau no máximo n tem n+1 coeficientes. Em geral, precisamos de n+1 condições independentes para determiná-los.

Determine Q(x)=ax²+bx+c sabendo que Q(0)=1, Q(1)=0 e Q(2)=3.

De Q(0)=1, obtemos c=1.

De Q(1)=0: a+b+1=0, então a+b=−1.

De Q(2)=3: 4a+2b+1=3, então 2a+b=1.

Subtraindo as duas últimas relações, a=2; logo, b=−3. Portanto, Q(x)=2x²−3x+1.

Quando conhecemos raízes

Um quadrático tem raízes −1 e 2 e passa por (0,4).

Começamos por P(x)=a(x+1)(x−2).

Usando P(0)=4: a·1·(−2)=4, então a=−2.

Logo, P(x)=−2(x+1)(x−2).

Problemas com parâmetros

Um parâmetro, como k, representa um número ainda não fixado. Cada escolha de k produz uma função da mesma família. A tarefa é transformar a condição verbal em uma condição algébrica.

Condição pedidaTradução algébrica
r é raizP(r)=0
r é raiz duplaP(r)=0 e P′(r)=0
o gráfico passa por (a,b)P(a)=b
o intercepto vertical é cP(0)=c

Para quais valores de k a função P(x)=x³−3x+k possui raiz dupla?

Uma raiz dupla r satisfaz simultaneamente P(r)=0 e P′(r)=0.

P′(x)=3x²−3=3(x−1)(x+1); portanto, os únicos candidatos são r=1 e r=−1.

Para r=1: 1−3+k=0, logo k=2.

Para r=−1: −1+3+k=0, logo k=−2.

Assim, k∈{−2,2}.

Aplicações e limites do modelo

Uma fórmula polinomial pode descrever áreas, volumes, custos ou lucros, mas o contexto decide quais entradas e saídas têm sentido.

Situação: uma placa de 20 cm por 14 cm recebe cortes quadrados de lado x nos quatro cantos. Depois, as abas são dobradas para formar uma caixa sem tampa.

Altura: ao dobrar, a caixa fica com x centímetros de altura.

Comprimento da base: são retirados x centímetros de cada extremidade, restando 20−2x.

Largura da base: do mesmo modo, restam 14−2x.

Volume: altura × comprimento × largura.

V(x)=x(20−2x)(14−2x)=4x³−68x²+280x

Determinando o domínio do modelo

As três dimensões precisam ser positivas: x>0, 20−2x>0 e 14−2x>0. As duas últimas condições fornecem x<10 e x<7. A restrição mais forte é x<7.

Portanto, o domínio físico é 0<x<7. A fórmula aceita outros números reais, mas eles não representam uma caixa possível. Nos extremos x=0 e x=7, pelo menos uma dimensão fica nula e o volume é zero.

Roteiro de modelagem: defina a variável e a unidade; explique de onde vem cada fator; declare o domínio contextual; calcule; e interprete o resultado na situação original.

15 exemplos comentados

Tente resolver cada questão antes de abrir a explicação. As soluções mostram o raciocínio, não apenas a resposta.

1. Reconhecer uma função polinomial

Entre x³−2x+1, 1/x+x e √x+2, qual é polinomial?

Solução: somente x³−2x+1. Os expoentes 3, 1 e 0 são inteiros não negativos; as outras expressões contêm x⁻¹ e x¹ᐟ².

2. Grau e coeficiente dominante

Analise P(x)=4−3x⁵+2x².

Solução: na ordem decrescente, P(x)=−3x⁵+2x²+4. Grau 5, coeficiente dominante −3 e termo independente 4.

3. Zero e intercepto vertical

Para P(x)=x²−5x+6, encontre os interceptos.

Solução: P(x)=(x−2)(x−3), então os interceptos horizontais são (2,0) e (3,0). Como P(0)=6, o vertical é (0,6).

4. Usar o teorema do fator

Verifique se x−2 é fator de P(x)=x³−3x²−4x+12.

Solução: calcule P(2)=8−12−8+12=0. Portanto, pelo teorema do fator, x−2 é fator.

5. Fatorar a partir das raízes

Um cúbico mônico tem raízes −1, 2 e 4. Determine-o.

Solução: P(x)=(x+1)(x−2)(x−4). Desenvolvendo, P(x)=x³−5x²+2x+8.

6. Interpretar multiplicidades

Analise P(x)=(x+2)(x−1)².

Solução: em x=−2, raiz simples, o gráfico atravessa o eixo. Em x=1, raiz dupla, toca e retorna. O grau é 3.

7. Encontrar raízes complexas

Resolva x³+x=0 em .

Solução: x(x²+1)=0. Logo, x=0 ou x²=−1, resultando em {0,i,−i}.

8. Prever as extremidades

Descreva as pontas de P(x)=−2x⁴+x.

Solução: o termo dominante é −2x⁴: grau par e coeficiente negativo. Portanto, P(x)→−∞ quando x→±∞; as duas pontas descem.

9. Montar uma tabela de sinais

Resolva (x−1)(x−4)>0.

Solução: as raízes simples 1 e 4 trocam o sinal. Testando x=0, o produto é positivo; logo a solução é (−∞,1)∪(4,+∞).

10. Testar simetria

Classifique P(x)=x⁴−3x²+1.

Solução: P(−x)=(−x)⁴−3(−x)²+1=P(x). A função é par e seu gráfico é simétrico em relação ao eixo y.

11. Aplicar uma transformação

Como obter o gráfico de g(x)=−P(x−2)+3 a partir de P?

Solução: desloque 2 unidades à direita, reflita no eixo x e depois desloque 3 unidades para cima.

12. Estudar crescimento

Estude P(x)=x³−3x.

Solução: P′(x)=3(x−1)(x+1). É positiva em (−∞,−1)∪(1,+∞) e negativa em (−1,1). Logo, cresce, decresce e volta a crescer.

13. Resolver uma inequação com raiz dupla

Resolva (x−3)²(x+1)≤0.

Solução: o sinal muda em −1, mas não em 3. A expressão é negativa antes de −1 e positiva nos demais intervalos, zerando também em 3. Solução: (−∞,−1]∪{3}.

14. Determinar o coeficiente pela forma fatorada

Q tem raízes 1 e −2 e Q(0)=4. Determine Q de grau 2.

Solução: Q(x)=a(x−1)(x+2). Em x=0, 4=a(−1)(2)=−2a; então a=−2 e Q(x)=−2(x−1)(x+2).

15. Modelar uma caixa sem tampa

Uma placa 20 por 14 recebe cortes de lado x. Qual é o volume e o domínio físico?

Solução: as dimensões ficam x, 20−2x e 14−2x. Logo, V(x)=x(20−2x)(14−2x). Para todas serem positivas, 0<x<7.

Exercícios propostos

São 40 questões inéditas: 12 fáceis, 8 médias, 10 difíceis e 10 avançadas. Resolva sem abrir o gabarito.

Fácil

1. O domínio natural de uma função polinomial real é:

A) ℝB) somente ℕC) ℝ sem zeroD) [0,+∞)
Fácil

2. O grau de 2x³−x+7 é:

A) 2B) 3C) 1D) 7
Fácil

3. Em 4x⁵−2x²−5, o termo independente é:

A) 4B) −2C) −5D) 5
Fácil

4. O número 2 é raiz de P quando:

A) P(0)=2B) P(2)=2C) P(x)=2D) P(2)=0
Fácil

5. Uma função polinomial real, sem contexto adicional, está definida em:

A) ℝB) ℝ⁺C) ℤD) ℝ∖{0}
Fácil

6. O gráfico de P(x)=x−4 encontra o eixo x em:

A) (0,−4)B) (4,0)C) (−4,0)D) (0,4)
Fácil

7. O intercepto vertical de P(x)=2x³+x−7 é:

A) (7,0)B) (−7,0)C) (0,−7)D) (0,7)
Fácil

8. Em (x−3)²(x+1), a multiplicidade de 3 é:

A) 0B) 1C) 3D) 2
Fácil

9. Em uma raiz simples, o gráfico normalmente:

A) atravessa o eixo xB) cria uma assíntotaC) tem um saltoD) fica indefinido
Fácil

10. Grau par e coeficiente dominante positivo produzem:

A) pontas opostasB) duas pontas para cimaC) duas pontas para baixoD) uma reta
Fácil

11. P(x)=x⁴+2x²+1 é:

A) ímparB) constanteC) parD) nem função
Fácil

12. Quando x→+∞, −x³+2x tende a:

A) 0B) 2C) +∞D) −∞
Média

13. As raízes de x³−4x são:

A) {−4,0,4}B) {−2,0,2}C) {0,4}D) {−2,2}
Média

14. A solução de (x+1)²(x−2)>0 é:

A) x<−1B) x≠−1C) x>2D) −1<x<2
Média

15. Grau ímpar e dominante negativo indicam:

A) esquerda sobe e direita desceB) ambas sobemC) esquerda desce e direita sobeD) ambas descem
Média

16. A solução de (x−2)²<0 é:

A) x<2B) x>2C) {2}D) ∅
Média

17. Se P(x)=ax³+bx²+cx+5, então:

A) P(5)=0B) P(0)=5C) P(0)=aD) P(1)=5
Média

18. Se P(a)<0<P(b) e a<b, a continuidade garante:

A) exatamente duas raízesB) nenhuma raizC) ao menos uma raiz em (a,b)D) uma raiz igual a a
Média

19. O gráfico de P(x−3) é o de P deslocado:

A) 3 à direitaB) 3 à esquerdaC) 3 para cimaD) 3 para baixo
Média

20. O gráfico de −P(x) é obtido por reflexão:

A) na origemB) no eixo yC) na reta y=xD) no eixo x
Difícil

21. Uma função de grau 2 possui no máximo quantos pontos críticos reais?

A) 0B) 1C) 2D) 3
Difícil

22. A derivada de x⁴−2x²+3 é:

A) x³−2xB) 4x³−2xC) 4x³−4xD) 4x⁴−4x²
Difícil

23. Se P′(x)>0 em um intervalo, então P é:

A) crescenteB) decrescenteC) constanteD) descontínua
Difícil

24. As raízes complexas de x³+x=0 são:

A) apenas 0B) {−1,0,1}C) {0,1,i}D) {0,i,−i}
Difícil

25. Para P=(x+2)(x−1)²(x−3), P(x)≤0 em:

A) (−∞,−2]B) [−2,3]C) [1,3]D) [−2,1]
Difícil

26. O Teorema Fundamental da Álgebra afirma que um polinômio de grau n tem:

A) n raízes reais distintasB) no máximo uma raiz complexaC) n raízes complexas contando multiplicidadesD) sempre n interceptos no eixo x
Difícil

27. Se um polinômio real possui raiz 2+3i, também possui:

A) 2−3iB) −2+3iC) −2−3iD) 3+2i
Difícil

28. Se Q(x)=a(x−1)(x+2) e Q(0)=8, então a vale:

A) 4B) −2C) 2D) −4
Difícil

29. x³−3x+k tem uma raiz dupla quando:

A) k=0B) k=1C) k=±2D) k=±3
Difícil

30. A imagem de P(x)=x⁴−1 é:

A) ℝB) [−1,+∞)C) (−∞,−1]D) [0,+∞)
Avançada

31. Uma raiz r é exatamente tripla quando:

A) P(r)=0 apenasB) P(r)=P′(r)=0C) P(r)=P′(r)=P″(r)=P‴(r)=0D) P(r)=P′(r)=P″(r)=0 e P‴(r)≠0
Avançada

32. Qual função é simétrica em relação à origem?

A) x⁵−2x³B) x⁴+x²C) x³+1D) x²−x
Avançada

33. Quantos zeros reais tem x⁴+x²+1?

A) 4B) 2C) 0D) 1
Avançada

34. Se a derivada muda de positiva para negativa em c, então c determina:

A) mínimo localB) máximo localC) assíntotaD) descontinuidade
Avançada

35. Um polinômio real de grau 4 tem a raiz 2+i. Qual raiz é obrigatória?

A) −2+iB) −2−iC) 2−iD) i
Avançada

36. Um quadrático tem raízes −1 e 2 e valor Q(0)=4. Seu coeficiente dominante é:

A) −2B) 2C) −4D) 4
Avançada

37. A equação x³−3x=k possui três soluções reais distintas quando:

A) |k|>2B) |k|=2C) |k|<2D) k=3
Avançada

38. No modelo V(x)=x(20−2x)(14−2x), o domínio físico é:

A) ℝB) 0<x<7C) x>0D) 0≤x≤10
Avançada

39. Uma função polinomial de grau 6 tem no máximo quantos pontos críticos reais?

A) 3B) 4C) 6D) 5
Avançada

40. Se o gráfico é tangente ao eixo x em r, então r tem multiplicidade:

A) par, ao menos 2B) exatamente 1C) ímparD) zero
Ver gabarito comentado
  1. A. Potências inteiras não negativas existem para todo real.
  2. B. O maior expoente com coeficiente não nulo é 3.
  3. C. O termo sem x é −5.
  4. D. Uma raiz torna o valor do polinômio igual a zero.
  5. A. Não há denominadores, radicais ou logaritmos que restrinjam x.
  6. B. x−4=0 fornece x=4.
  7. C. No eixo y, usamos x=0.
  8. D. O expoente do fator (x−3) é 2.
  9. A. Uma raiz simples tem multiplicidade ímpar e troca o sinal.
  10. B. Grau par e dominante positivo fazem as duas pontas subirem.
  11. C. Somente potências pares implicam P(−x)=P(x).
  12. D. O termo dominante −x³ tende a −∞ à direita.
  13. B. x³−4x=x(x−2)(x+2).
  14. C. O quadrado não muda o sinal; o produto só é positivo após 2.
  15. A. Grau ímpar dá pontas opostas e o sinal negativo inverte a orientação.
  16. D. Um quadrado real nunca é estritamente negativo.
  17. B. Substituir zero elimina todos os termos com x.
  18. C. O Teorema do Valor Intermediário garante pelo menos um zero.
  19. A. O sinal interno é invertido: x−3 desloca à direita.
  20. D. Multiplicar as saídas por −1 reflete no eixo x.
  21. B. A derivada de um quadrático é afim e zera no máximo uma vez.
  22. C. Derivando termo a termo: 4x³−4x.
  23. A. Derivada positiva representa inclinação positiva.
  24. D. x³+x=x(x²+1).
  25. B. O sinal é não positivo desde a primeira até a última raiz, incluindo zeros.
  26. C. As n raízes são contadas em e com multiplicidade.
  27. A. Coeficientes reais fazem as raízes não reais aparecerem em pares conjugados.
  28. D. 8=a(−1)(2), então a=−4.
  29. C. Raiz dupla exige P=P′=0, produzindo k=±2.
  30. B. Como x⁴≥0, o mínimo de x⁴−1 é −1.
  31. D. As derivadas até ordem 2 zeram, mas a terceira não.
  32. A. Apenas potências ímpares dão P(−x)=−P(x).
  33. C. x⁴+x²+1 é sempre positivo.
  34. B. A inclinação passa de positiva a negativa: ocorre um máximo local.
  35. C. 2−i é o conjugado de 2+i.
  36. A. 4=a(1)(−2), então a=−2.
  37. C. A reta horizontal corta a cúbica três vezes entre os valores extremos −2 e 2.
  38. B. As três dimensões da caixa são positivas apenas para 0<x<7.
  39. D. A derivada tem grau 5 e, portanto, no máximo cinco raízes reais.
  40. A. Tangência ao eixo indica raiz de multiplicidade par, no mínimo 2.

Erros frequentes

  • Confundir o grau com a quantidade de termos ou com o valor do coeficiente dominante.
  • Afirmar que toda função de grau n possui n zeros reais.
  • Trocar o sinal ao atravessar uma raiz de multiplicidade par.
  • Usar apenas as raízes e ignorar o intercepto vertical e o comportamento das extremidades.
  • Confundir P(x−h) com um deslocamento para a esquerda.
  • Tratar um máximo local como máximo absoluto sem verificar todo o domínio.
  • Esquecer as restrições físicas do domínio em um modelo aplicado.
  • Desenhar assíntotas, saltos ou cantos em um gráfico polinomial.

Resumo final

  • Uma função polinomial usa apenas potências inteiras não negativas de x e tem domínio natural .
  • Grau e coeficiente dominante controlam as extremidades.
  • Zeros reais são interceptos no eixo x; multiplicidade par toca e ímpar atravessa.
  • Forma fatorada e tabela de sinais revelam onde a função é positiva ou negativa.
  • Simetrias, transformações, derivada e pontos críticos refinam a leitura gráfica.
  • Equações procuram encontros; inequações procuram intervalos.
  • Em aplicações, o domínio do modelo pode ser menor que .

Continue praticando no banco de exercícios de Função polinomial.