Visão geral
Uma função polinomial transforma cada número real x em um valor obtido por somas de potências de x. Funções constantes, afins e quadráticas são os primeiros casos dessa mesma família; agora estudaremos o que continua válido em qualquer grau.
Um primeiro exemplo: considere P(x)=x³−4x.
Ao calcular P(3)=27−12=15, estamos obtendo a imagem da entrada 3.
Ao resolver P(x)=0, encontramos x∈{−2,0,2}, os pontos em que o gráfico encontra o eixo x.
Ao estudar o sinal de P(x), descobrimos em quais intervalos o gráfico está acima ou abaixo desse eixo.
Essas três perguntas — quanto vale, onde zera e como se comporta — organizam toda a aula.
- Reconhecer a função, o grau e seus coeficientes.
- Encontrar e interpretar raízes e multiplicidades.
- Ler sinais, extremidades, simetrias e variações.
- Reunir as informações para construir o gráfico e resolver problemas.
O que você precisa saber antes
A análise da função usa operações algébricas já estudadas. Antes de avançar, verifique se você consegue:
- reduzir e ordenar um polinômio, reunindo termos semelhantes;
- calcular P(a), substituindo corretamente x por um número;
- colocar fator comum em evidência e reconhecer produtos notáveis;
- dividir polinômios e usar o teorema do resto quando uma raiz é conhecida.
As aulas de Função afim e Função quadrática apresentam, com mais detalhes, os casos de graus 1 e 2.
Definição de função polinomial
Uma função f: ℝ → ℝ é polinomial quando pode ser escrita na forma:
- n é um número inteiro não negativo;
- a₀,a₁,…,aₙ são números reais chamados coeficientes;
- aₙ≠0, pois o primeiro termo escrito precisa realmente existir;
- os expoentes de x são somente 0,1,2,…,n.
Em outras palavras: cada termo é um número real multiplicado por uma potência inteira não negativa de x, e a função é a soma de uma quantidade finita desses termos.
| Expressão | É polinomial? | Motivo |
|---|---|---|
| −x⁵+2x³−7 | Sim | Os expoentes 5, 3 e 0 são inteiros não negativos. |
| 3/x+x² | Não | 3/x=3x⁻¹ tem expoente negativo. |
| √x+2 | Não | √x=x¹ᐟ² tem expoente fracionário. |
| 2ˣ+1 | Não | A variável aparece no expoente. |
A função constante f(x)=b também é polinomial, pois pode ser escrita como f(x)=b·x⁰.
Expressão, função, equação e identidade
A mesma escrita x²−4 pode aparecer em perguntas diferentes. O que muda é o objeto que está sendo estudado.
| Objeto | Exemplo | Pergunta correspondente |
|---|---|---|
| Expressão polinomial | x²−4 | Como simplificar, desenvolver ou fatorar essa expressão? |
| Função polinomial | f:ℝ→ℝ, com f(x)=x²−4 | Qual saída corresponde a cada entrada? Como é o gráfico? |
| Equação polinomial | x²−4=0 | Quais valores de x tornam a igualdade verdadeira? |
| Identidade polinomial | (x−2)(x+2)=x²−4 | A igualdade vale para todo número real x? |
Na função f(x)=x²−4, temos f(3)=5: isso é um valor da função.
Na equação x²−4=0, obtemos x=−2 ou x=2: essas são as soluções da equação e os zeros da função.
Grau e coeficientes
Primeiro escreva o polinômio em ordem decrescente e reúna termos semelhantes. O grau é o maior expoente cujo coeficiente não é zero.
Exemplo: P(x)=4+3x²−2x⁴+x².
Reunindo os termos em x²: P(x)=−2x⁴+4x²+4.
O grau é 4; o coeficiente dominante é −2; o termo independente é 4. Os coeficientes de x³ e x são zero.
| Forma | Grau | Nome usual | O que já conhecemos |
|---|---|---|---|
| f(x)=b, b≠0 | 0 | constante | gráfico horizontal |
| f(x)=ax+b, a≠0 | 1 | afim | gráfico em reta |
| f(x)=ax²+bx+c, a≠0 | 2 | quadrática | gráfico em parábola |
| f(x)=ax³+bx²+cx+d, a≠0 | 3 | cúbica | pode ter uma ou três raízes reais distintas |
Não confunda: grau não é quantidade de termos. 7x⁸−2 tem somente dois termos, mas grau 8. O polinômio nulo P(x)=0 não recebe grau na convenção escolar usual.
Domínio, imagem e continuidade
Domínio natural
Toda função polinomial real pode ser calculada para qualquer x∈ℝ. Não há denominadores com variável, raízes de índice par nem logaritmos que possam proibir alguma entrada. Portanto, sem contexto adicional, D(f)=ℝ.
Imagem
A imagem é o conjunto das saídas realmente produzidas. Ela não pode ser descoberta apenas olhando o domínio; precisamos analisar a própria função.
| Função | O que ocorre | Imagem |
|---|---|---|
| f(x)=x³ | A função desce sem limite e sobe sem limite. | ℝ |
| g(x)=x² | O menor valor é 0. | [0,+∞) |
| h(x)=−x⁴+2 | O maior valor é 2. | (−∞,2] |
| q(x)=5 | Toda entrada produz 5. | {5} |
Em geral, grau ímpar produz imagem ℝ. Grau par produz uma imagem limitada de um lado, mas localizar o mínimo ou o máximo pode exigir o estudo de extremos.
Continuidade
O gráfico de uma função polinomial pode ser desenhado sem tirar o lápis do papel: não possui saltos, buracos nem assíntotas verticais. Uma consequência importante é a seguinte:
Em um problema real, o domínio do modelo pode ser menor. Se x representa o lado de uma peça, por exemplo, o contexto pode exigir x>0, mesmo que a fórmula polinomial aceite todos os reais.
Zeros, raízes e interceptos
Os termos abaixo aparecem juntos, mas não significam exatamente a mesma coisa:
- zero ou raiz real: número r para o qual P(r)=0;
- solução da equação: valor de x que resolve P(x)=0;
- intercepto no eixo x: ponto do gráfico escrito como (r,0);
- intercepto no eixo y: ponto (0,P(0))=(0,a₀).
Assim, a raiz é um número, enquanto o intercepto é um ponto do plano.
Exemplo: encontre os interceptos de P(x)=x³−4x.
Fator comum: P(x)=x(x²−4).
Diferença de quadrados: P(x)=x(x−2)(x+2).
Pelo produto nulo, x=−2,0 ou x=2. Os interceptos horizontais são (−2,0), (0,0) e (2,0).
Como P(0)=0, o intercepto vertical também é (0,0).
Teorema do fator
Quando dividimos P(x) por x−r, o teorema do resto afirma que o resto é P(r). Portanto:
Em outras palavras: se a substituição x=r produz zero, então a divisão por x−r é exata. Isso permite reduzir o grau e continuar a fatoração.
Por que o teorema funciona?
Escreva a divisão com resto.
Para algum quociente Q(x) e resto constante R:P(x)=(x−r)Q(x)+RSubstitua x=r.
O fator r−r se anula.P(r)=0·Q(r)+R=RConclua.
Se P(r)=0, então R=0 e a divisão é exata.P(x)=(x−r)Q(x)
Teste r=2 em P(x)=x³−3x²−4x+12.
P(2)=8−12−8+12=0.
Logo, x−2 é fator. Dividindo, obtemos P(x)=(x−2)(x²−x−6).
Fatorando o quadrático: P(x)=(x−2)(x−3)(x+2). As raízes são −2,2 e 3.
O algoritmo da divisão e o dispositivo de Briot–Ruffini são desenvolvidos em Polinômios.
Forma fatorada e Teorema Fundamental da Álgebra
A forma fatorada revela diretamente as raízes e suas repetições. Se todas as raízes complexas de um polinômio de grau n forem r₁,…,rₙ, contando repetições, então:
O Teorema Fundamental da Álgebra garante exatamente n raízes em ℂ, contadas com multiplicidade. Ele não afirma que todas sejam reais nem distintas.
Exemplo: fatore P(x)=x⁴−5x²+4.
Use u=x²: u²−5u+4=(u−1)(u−4).
Voltando a x: P(x)=(x²−1)(x²−4).
Aplicando diferença de quadrados: P(x)=(x−1)(x+1)(x−2)(x+2).
As quatro raízes são reais e distintas: −2,−1,1,2.
Quando aparecem raízes complexas conjugadas, seus dois fatores lineares podem ser reunidos em um fator quadrático real. Por isso, a fatoração sobre ℝ pode terminar antes de todos os fatores serem lineares.
Multiplicidade de uma raiz
Se (x−r)ᵐ aparece na fatoração e a potência seguinte não aparece, dizemos que r tem multiplicidade m.
| Fator | Multiplicidade | O que o gráfico faz perto da raiz |
|---|---|---|
| x−r | 1, simples | atravessa o eixo com contato comum |
| (x−r)² | 2, dupla | toca o eixo e retorna |
| (x−r)³ | 3, tripla | atravessa o eixo, mas fica mais achatado |
Multiplicidade ímpar troca o sinal; multiplicidade par conserva o sinal. Quanto maior a multiplicidade, mais achatado é o contato.
Em P(x)=(x+2)(x−1)²(x−3)³, as raízes são −2 simples, 1 dupla e 3 tripla. O grau é 1+2+3=6.
Ferramenta avançada: uma raiz tem multiplicidade m quando P(r)=P′(r)=…=P⁽ᵐ⁻¹⁾(r)=0 e P⁽ᵐ⁾(r)≠0. Essa caracterização será usada depois em problemas com parâmetros.
Raízes complexas e pares conjugados
Se todos os coeficientes de P são reais e a+bi, com b≠0, é raiz, então a−bi também é. As raízes não reais aparecem em pares conjugados.
Exemplo: resolva x⁴+5x²+4=0.
Faça u=x²: u²+5u+4=(u+1)(u+4)=0.
Assim, x²=−1 ou x²=−4.
Em ℂ, as raízes são i,−i,2i e −2i.
Em ℝ, a função não possui zeros; de fato, x⁴+5x²+4>0 para todo real x.
Comportamento nas extremidades
Quando |x| fica muito grande, a potência mais alta cresce mais rapidamente que as demais. Por isso, o termo dominante aₙxⁿ determina a direção das duas pontas do gráfico.
Em P(x)=2x⁴−3x+1, compare os termos para x=10.
O termo dominante vale 2·10⁴=20 000, enquanto −3x+1=−29.
Longe da origem, os termos menores ainda alteram o valor exato, mas não conseguem mudar a direção imposta por 2x⁴.
| Grau | Sinal de aₙ | Quando x→−∞ | Quando x→+∞ |
|---|---|---|---|
| par | positivo | P(x)→+∞ | P(x)→+∞ |
| par | negativo | P(x)→−∞ | P(x)→−∞ |
| ímpar | positivo | P(x)→−∞ | P(x)→+∞ |
| ímpar | negativo | P(x)→+∞ | P(x)→−∞ |
Essa análise descreve somente as pontas. Zeros, máximos, mínimos e ondulações internas dependem dos outros termos.
Curvas internas diferentes podem compartilhar o mesmo grau e o mesmo sinal dominante.
Tabela de sinais
A tabela de sinais responde onde P(x) é positiva, negativa ou nula. Vamos construir a análise de P(x)=(x+2)(x−1)²(x−3).
- Ordene as raízes: −2,1,3.
- Registre as multiplicidades: 1 em −2, 2 em 1 e 1 em 3.
- Descubra um primeiro sinal: para x>3, todos os fatores são positivos; logo, o produto é positivo.
- Caminhe pela reta: o sinal troca ao passar por raiz de multiplicidade ímpar e permanece ao passar por raiz de multiplicidade par.
Acima do eixo x, o valor é positivo; abaixo, é negativo.
Portanto, P(x)>0 em (−∞,−2)∪(3,+∞) e P(x)<0 em (−2,1)∪(1,3). Para P(x)≤0, incluímos também as raízes e obtemos [−2,3].
Simetrias
O teste algébrico consiste em substituir x por −x e simplificar.
| Exemplo | Cálculo de f(−x) | Conclusão |
|---|---|---|
| f(x)=x⁴−2x² | (−x)⁴−2(−x)²=x⁴−2x²=f(x) | par; simetria no eixo y |
| g(x)=x³−2x | (−x)³−2(−x)=−x³+2x=−g(x) | ímpar; simetria na origem |
| h(x)=x³+x² | −x³+x² | nem par nem ímpar |
Ter grau par não basta para a função ser par. O que importa é a presença exclusiva de potências pares. Do mesmo modo, uma função ímpar precisa conter apenas potências ímpares e ter termo constante igual a zero.
Transformações do gráfico
Se conhecemos o gráfico de y=P(x), podemos obter outros gráficos movendo ou refletindo seus pontos.
| Nova função | Movimento | O ponto (x,y) passa a |
|---|---|---|
| P(x)+k | k unidades para cima | (x,y+k) |
| P(x−h) | h unidades para a direita | (x+h,y) |
| −P(x) | reflexão no eixo x | (x,−y) |
| P(−x) | reflexão no eixo y | (−x,y) |
Se P(1)=3, então o ponto (1,3) pertence ao gráfico original. Em Q(x)=P(x−2)+4, esse ponto aparece em (3,7): 2 unidades à direita e 4 para cima.
Construção organizada do gráfico
Antes de usar derivadas, já podemos produzir um esboço coerente reunindo as informações anteriores.
Esboce P(x)=(x+2)(x−1)²(x−3).
1. Pontas: o grau é 4 e o coeficiente dominante é positivo; as duas pontas sobem.
2. Zeros: −2 e 3 são simples, então o gráfico atravessa o eixo. 1 é dupla, então toca e retorna.
3. Intercepto vertical: P(0)=2·1·(−3)=−6, logo o gráfico passa por (0,−6).
4. Sinais: positivo antes de −2, negativo entre −2 e 3 — sem troca em 1 — e positivo depois de 3.
5. Curva: una essas informações com uma linha contínua, sem saltos, buracos ou assíntotas.
O gráfico confirma as pontas, os três interceptos distintos e a tangência em x=1.
Duas funções de mesmo grau ainda podem ter quantidades diferentes de zeros reais:
Crescimento, decrescimento e derivada
A derivada é uma ferramenta mais avançada que mede a inclinação local do gráfico. Ela permite saber onde a curva sobe, desce ou muda de direção.
- P′(x)>0: a função é crescente naquele intervalo;
- P′(x)<0: a função é decrescente;
- P′(x)=0: há um ponto crítico, candidato a máximo, mínimo ou ponto de tangente horizontal.
Exemplo: P(x)=x⁴−2x².
Derivando termo a termo: P′(x)=4x³−4x=4x(x−1)(x+1).
Os pontos críticos ocorrem em x=−1,0,1. Uma tabela de sinais de P′ indica onde a função cresce ou decresce.
Como P′ tem grau n−1, uma função de grau n possui no máximo n−1 pontos críticos reais.
Máximos e mínimos locais
Um ponto crítico só é classificado depois de observar a mudança de sinal da derivada: de positivo para negativo surge um máximo local; de negativo para positivo, um mínimo local.
Analise f(x)=x³−3x.
f′(x)=3x²−3=3(x−1)(x+1), então os pontos críticos são x=−1 e x=1.
Para x<−1, a derivada é positiva; entre −1 e 1, é negativa; depois de 1, volta a ser positiva.
Calculando as ordenadas: f(−1)=2 e f(1)=−2.
Logo, (−1,2) é máximo local e (1,−2) é mínimo local. Eles não são absolutos: a cúbica cresce sem limite para a direita e decresce sem limite para a esquerda.
Equações polinomiais
Resolver uma equação polinomial significa encontrar todos os valores que tornam uma igualdade verdadeira. Quando a equação está na forma P(x)=0, suas soluções são as raízes de P.
- Leve todos os termos para um mesmo lado.
- Reduza e ordene o polinômio.
- Procure fator comum, produtos notáveis, substituição ou agrupamento.
- Use raízes racionais simples e o teorema do fator para diminuir o grau.
- Aplique o produto nulo e verifique se todas as soluções foram encontradas.
Resolva: x⁴−5x²+4=0.
Os expoentes 4 e 2 sugerem a substituição u=x².
Obtemos u²−5u+4=0, isto é, (u−1)(u−4)=0.
Logo, u=1 ou u=4. Voltando a x: x²=1 ou x²=4.
Portanto, x∈{−2,−1,1,2}.
Quando o segundo membro não é zero
Para resolver P(x)=k, podemos escrever P(x)−k=0. Graficamente, procuramos as interseções entre y=P(x) e a reta horizontal y=k.
Cada encontro fornece uma solução real de P(x)=k.
Inequações polinomiais
Uma inequação não procura pontos isolados, mas intervalos em que o polinômio tem o sinal pedido.
- Escreva a comparação com zero.
- Fatore o polinômio.
- Ordene as raízes e registre as multiplicidades.
- Monte a tabela de sinais.
- Escolha os intervalos corretos e inclua as raízes somente quando houver ≤ ou ≥.
Resolva: (x−3)²(x+1)≤0.
As raízes são −1, simples, e 3, dupla.
À direita de 3, o produto é positivo. Em 3, a multiplicidade par não troca o sinal; por isso o produto continua positivo entre −1 e 3.
Ao atravessar −1, raiz simples, o sinal muda e fica negativo.
Queremos valores negativos ou nulos. Assim, a solução é (−∞,−1]∪{3}.
Como determinar uma função polinomial
O método depende do tipo de informação fornecida.
Quando conhecemos valores da função
Um polinômio de grau no máximo n tem n+1 coeficientes. Em geral, precisamos de n+1 condições independentes para determiná-los.
Determine Q(x)=ax²+bx+c sabendo que Q(0)=1, Q(1)=0 e Q(2)=3.
De Q(0)=1, obtemos c=1.
De Q(1)=0: a+b+1=0, então a+b=−1.
De Q(2)=3: 4a+2b+1=3, então 2a+b=1.
Subtraindo as duas últimas relações, a=2; logo, b=−3. Portanto, Q(x)=2x²−3x+1.
Quando conhecemos raízes
Um quadrático tem raízes −1 e 2 e passa por (0,4).
Começamos por P(x)=a(x+1)(x−2).
Usando P(0)=4: a·1·(−2)=4, então a=−2.
Logo, P(x)=−2(x+1)(x−2).
Problemas com parâmetros
Um parâmetro, como k, representa um número ainda não fixado. Cada escolha de k produz uma função da mesma família. A tarefa é transformar a condição verbal em uma condição algébrica.
| Condição pedida | Tradução algébrica |
|---|---|
| r é raiz | P(r)=0 |
| r é raiz dupla | P(r)=0 e P′(r)=0 |
| o gráfico passa por (a,b) | P(a)=b |
| o intercepto vertical é c | P(0)=c |
Para quais valores de k a função P(x)=x³−3x+k possui raiz dupla?
Uma raiz dupla r satisfaz simultaneamente P(r)=0 e P′(r)=0.
P′(x)=3x²−3=3(x−1)(x+1); portanto, os únicos candidatos são r=1 e r=−1.
Para r=1: 1−3+k=0, logo k=2.
Para r=−1: −1+3+k=0, logo k=−2.
Assim, k∈{−2,2}.
Aplicações e limites do modelo
Uma fórmula polinomial pode descrever áreas, volumes, custos ou lucros, mas o contexto decide quais entradas e saídas têm sentido.
Situação: uma placa de 20 cm por 14 cm recebe cortes quadrados de lado x nos quatro cantos. Depois, as abas são dobradas para formar uma caixa sem tampa.
Altura: ao dobrar, a caixa fica com x centímetros de altura.
Comprimento da base: são retirados x centímetros de cada extremidade, restando 20−2x.
Largura da base: do mesmo modo, restam 14−2x.
Volume: altura × comprimento × largura.
Determinando o domínio do modelo
As três dimensões precisam ser positivas: x>0, 20−2x>0 e 14−2x>0. As duas últimas condições fornecem x<10 e x<7. A restrição mais forte é x<7.
Portanto, o domínio físico é 0<x<7. A fórmula aceita outros números reais, mas eles não representam uma caixa possível. Nos extremos x=0 e x=7, pelo menos uma dimensão fica nula e o volume é zero.
15 exemplos comentados
Tente resolver cada questão antes de abrir a explicação. As soluções mostram o raciocínio, não apenas a resposta.
1. Reconhecer uma função polinomial
Entre x³−2x+1, 1/x+x e √x+2, qual é polinomial?
Solução: somente x³−2x+1. Os expoentes 3, 1 e 0 são inteiros não negativos; as outras expressões contêm x⁻¹ e x¹ᐟ².
2. Grau e coeficiente dominante
Analise P(x)=4−3x⁵+2x².
Solução: na ordem decrescente, P(x)=−3x⁵+2x²+4. Grau 5, coeficiente dominante −3 e termo independente 4.
3. Zero e intercepto vertical
Para P(x)=x²−5x+6, encontre os interceptos.
Solução: P(x)=(x−2)(x−3), então os interceptos horizontais são (2,0) e (3,0). Como P(0)=6, o vertical é (0,6).
4. Usar o teorema do fator
Verifique se x−2 é fator de P(x)=x³−3x²−4x+12.
Solução: calcule P(2)=8−12−8+12=0. Portanto, pelo teorema do fator, x−2 é fator.
5. Fatorar a partir das raízes
Um cúbico mônico tem raízes −1, 2 e 4. Determine-o.
Solução: P(x)=(x+1)(x−2)(x−4). Desenvolvendo, P(x)=x³−5x²+2x+8.
6. Interpretar multiplicidades
Analise P(x)=(x+2)(x−1)².
Solução: em x=−2, raiz simples, o gráfico atravessa o eixo. Em x=1, raiz dupla, toca e retorna. O grau é 3.
7. Encontrar raízes complexas
Resolva x³+x=0 em ℂ.
Solução: x(x²+1)=0. Logo, x=0 ou x²=−1, resultando em {0,i,−i}.
8. Prever as extremidades
Descreva as pontas de P(x)=−2x⁴+x.
Solução: o termo dominante é −2x⁴: grau par e coeficiente negativo. Portanto, P(x)→−∞ quando x→±∞; as duas pontas descem.
9. Montar uma tabela de sinais
Resolva (x−1)(x−4)>0.
Solução: as raízes simples 1 e 4 trocam o sinal. Testando x=0, o produto é positivo; logo a solução é (−∞,1)∪(4,+∞).
10. Testar simetria
Classifique P(x)=x⁴−3x²+1.
Solução: P(−x)=(−x)⁴−3(−x)²+1=P(x). A função é par e seu gráfico é simétrico em relação ao eixo y.
11. Aplicar uma transformação
Como obter o gráfico de g(x)=−P(x−2)+3 a partir de P?
Solução: desloque 2 unidades à direita, reflita no eixo x e depois desloque 3 unidades para cima.
12. Estudar crescimento
Estude P(x)=x³−3x.
Solução: P′(x)=3(x−1)(x+1). É positiva em (−∞,−1)∪(1,+∞) e negativa em (−1,1). Logo, cresce, decresce e volta a crescer.
13. Resolver uma inequação com raiz dupla
Resolva (x−3)²(x+1)≤0.
Solução: o sinal muda em −1, mas não em 3. A expressão é negativa antes de −1 e positiva nos demais intervalos, zerando também em 3. Solução: (−∞,−1]∪{3}.
14. Determinar o coeficiente pela forma fatorada
Q tem raízes 1 e −2 e Q(0)=4. Determine Q de grau 2.
Solução: Q(x)=a(x−1)(x+2). Em x=0, 4=a(−1)(2)=−2a; então a=−2 e Q(x)=−2(x−1)(x+2).
15. Modelar uma caixa sem tampa
Uma placa 20 por 14 recebe cortes de lado x. Qual é o volume e o domínio físico?
Solução: as dimensões ficam x, 20−2x e 14−2x. Logo, V(x)=x(20−2x)(14−2x). Para todas serem positivas, 0<x<7.
Exercícios propostos
São 40 questões inéditas: 12 fáceis, 8 médias, 10 difíceis e 10 avançadas. Resolva sem abrir o gabarito.
1. O domínio natural de uma função polinomial real é:
2. O grau de 2x³−x+7 é:
3. Em 4x⁵−2x²−5, o termo independente é:
4. O número 2 é raiz de P quando:
5. Uma função polinomial real, sem contexto adicional, está definida em:
6. O gráfico de P(x)=x−4 encontra o eixo x em:
7. O intercepto vertical de P(x)=2x³+x−7 é:
8. Em (x−3)²(x+1), a multiplicidade de 3 é:
9. Em uma raiz simples, o gráfico normalmente:
10. Grau par e coeficiente dominante positivo produzem:
11. P(x)=x⁴+2x²+1 é:
12. Quando x→+∞, −x³+2x tende a:
13. As raízes de x³−4x são:
14. A solução de (x+1)²(x−2)>0 é:
15. Grau ímpar e dominante negativo indicam:
16. A solução de (x−2)²<0 é:
17. Se P(x)=ax³+bx²+cx+5, então:
18. Se P(a)<0<P(b) e a<b, a continuidade garante:
19. O gráfico de P(x−3) é o de P deslocado:
20. O gráfico de −P(x) é obtido por reflexão:
21. Uma função de grau 2 possui no máximo quantos pontos críticos reais?
22. A derivada de x⁴−2x²+3 é:
23. Se P′(x)>0 em um intervalo, então P é:
24. As raízes complexas de x³+x=0 são:
25. Para P=(x+2)(x−1)²(x−3), P(x)≤0 em:
26. O Teorema Fundamental da Álgebra afirma que um polinômio de grau n tem:
27. Se um polinômio real possui raiz 2+3i, também possui:
28. Se Q(x)=a(x−1)(x+2) e Q(0)=8, então a vale:
29. x³−3x+k tem uma raiz dupla quando:
30. A imagem de P(x)=x⁴−1 é:
31. Uma raiz r é exatamente tripla quando:
32. Qual função é simétrica em relação à origem?
33. Quantos zeros reais tem x⁴+x²+1?
34. Se a derivada muda de positiva para negativa em c, então c determina:
35. Um polinômio real de grau 4 tem a raiz 2+i. Qual raiz é obrigatória?
36. Um quadrático tem raízes −1 e 2 e valor Q(0)=4. Seu coeficiente dominante é:
37. A equação x³−3x=k possui três soluções reais distintas quando:
38. No modelo V(x)=x(20−2x)(14−2x), o domínio físico é:
39. Uma função polinomial de grau 6 tem no máximo quantos pontos críticos reais?
40. Se o gráfico é tangente ao eixo x em r, então r tem multiplicidade:
Ver gabarito comentado
- A. Potências inteiras não negativas existem para todo real.
- B. O maior expoente com coeficiente não nulo é 3.
- C. O termo sem x é −5.
- D. Uma raiz torna o valor do polinômio igual a zero.
- A. Não há denominadores, radicais ou logaritmos que restrinjam x.
- B. x−4=0 fornece x=4.
- C. No eixo y, usamos x=0.
- D. O expoente do fator (x−3) é 2.
- A. Uma raiz simples tem multiplicidade ímpar e troca o sinal.
- B. Grau par e dominante positivo fazem as duas pontas subirem.
- C. Somente potências pares implicam P(−x)=P(x).
- D. O termo dominante −x³ tende a −∞ à direita.
- B. x³−4x=x(x−2)(x+2).
- C. O quadrado não muda o sinal; o produto só é positivo após 2.
- A. Grau ímpar dá pontas opostas e o sinal negativo inverte a orientação.
- D. Um quadrado real nunca é estritamente negativo.
- B. Substituir zero elimina todos os termos com x.
- C. O Teorema do Valor Intermediário garante pelo menos um zero.
- A. O sinal interno é invertido: x−3 desloca à direita.
- D. Multiplicar as saídas por −1 reflete no eixo x.
- B. A derivada de um quadrático é afim e zera no máximo uma vez.
- C. Derivando termo a termo: 4x³−4x.
- A. Derivada positiva representa inclinação positiva.
- D. x³+x=x(x²+1).
- B. O sinal é não positivo desde a primeira até a última raiz, incluindo zeros.
- C. As n raízes são contadas em ℂ e com multiplicidade.
- A. Coeficientes reais fazem as raízes não reais aparecerem em pares conjugados.
- D. 8=a(−1)(2), então a=−4.
- C. Raiz dupla exige P=P′=0, produzindo k=±2.
- B. Como x⁴≥0, o mínimo de x⁴−1 é −1.
- D. As derivadas até ordem 2 zeram, mas a terceira não.
- A. Apenas potências ímpares dão P(−x)=−P(x).
- C. x⁴+x²+1 é sempre positivo.
- B. A inclinação passa de positiva a negativa: ocorre um máximo local.
- C. 2−i é o conjugado de 2+i.
- A. 4=a(1)(−2), então a=−2.
- C. A reta horizontal corta a cúbica três vezes entre os valores extremos −2 e 2.
- B. As três dimensões da caixa são positivas apenas para 0<x<7.
- D. A derivada tem grau 5 e, portanto, no máximo cinco raízes reais.
- A. Tangência ao eixo indica raiz de multiplicidade par, no mínimo 2.
Erros frequentes
- Confundir o grau com a quantidade de termos ou com o valor do coeficiente dominante.
- Afirmar que toda função de grau n possui n zeros reais.
- Trocar o sinal ao atravessar uma raiz de multiplicidade par.
- Usar apenas as raízes e ignorar o intercepto vertical e o comportamento das extremidades.
- Confundir P(x−h) com um deslocamento para a esquerda.
- Tratar um máximo local como máximo absoluto sem verificar todo o domínio.
- Esquecer as restrições físicas do domínio em um modelo aplicado.
- Desenhar assíntotas, saltos ou cantos em um gráfico polinomial.
Resumo final
- Uma função polinomial usa apenas potências inteiras não negativas de x e tem domínio natural ℝ.
- Grau e coeficiente dominante controlam as extremidades.
- Zeros reais são interceptos no eixo x; multiplicidade par toca e ímpar atravessa.
- Forma fatorada e tabela de sinais revelam onde a função é positiva ou negativa.
- Simetrias, transformações, derivada e pontos críticos refinam a leitura gráfica.
- Equações procuram encontros; inequações procuram intervalos.
- Em aplicações, o domínio do modelo pode ser menor que ℝ.
Continue praticando no banco de exercícios de Função polinomial.