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Poliedros

Estrutura, contagem e regularidade

Distinga superfície e sólido, conte diagonais e incidências e compreenda por que existem exatamente cinco poliedros regulares convexos.

Superfície e sólido poliédrico

Uma superfície poliédrica é uma reunião finita e conexa de regiões poligonais planas, chamadas faces. Duas faces distintas podem não se encontrar, encontrar-se em um único vértice ou compartilhar uma aresta inteira; elas não devem atravessar o interior uma da outra.

Aberta

Pode possuir arestas pertencentes a uma única face. Essas arestas formam uma borda livre.

Fechada

Não possui borda livre. Cada aresta pertence exatamente a duas faces.

Simples

Não possui autointerseções: partes não incidentes da superfície não se atravessam.

Um sólido poliédrico é a região do espaço delimitada por uma superfície poliédrica fechada adequada. A superfície é a fronteira bidimensional; o sólido inclui essa fronteira e seu interior tridimensional.

ConceitoO que mede ou descreve
SuperfícieA fronteira formada pelas faces.
SólidoA região tridimensional, incluindo o interior.
Área totalA medida da superfície.
VolumeA medida da região ocupada pelo sólido.

Convenção desta aula. Usaremos “poliedro” para o sólido poliédrico e chamaremos explicitamente sua fronteira de superfície poliédrica. Um desenho em perspectiva é apenas uma representação, não o próprio poliedro.

Elementos, adjacências e ângulo poliédrico

  • Face: região poligonal da superfície.
  • Aresta: segmento inteiro comum a duas faces, no caso fechado.
  • Vértice: extremidade de arestas.
  • Faces adjacentes: possuem uma aresta em comum.
  • Arestas adjacentes: possuem um vértice em comum.
  • Vértices adjacentes: são extremos da mesma aresta.
  • Grau de um vértice: número de arestas que incidem nele; não é medida angular.
  • Ângulo poliédrico: configuração formada pelas faces incidentes em um vértice.
V = vértices    A = arestas    F = faces

Nesta página, A representa o número de arestas, não área. Duas faces que compartilham somente um vértice não são chamadas adjacentes pela convenção adotada.

Poliedros convexos e não convexos

Um sólido poliédrico é convexo quando, para quaisquer dois pontos do sólido, todo o segmento que os une está contido no sólido. Ele é não convexo quando existe pelo menos um par de pontos cujo segmento de união possui pontos exteriores ao sólido.

Caracterização complementar: em um poliedro convexo, cada plano que contém uma face deixa todo o sólido em um mesmo semiespaço. A perspectiva pode ocultar reentrâncias; portanto, a classificação deve vir da definição, das coordenadas ou das relações geométricas, não apenas da aparência.

Prisma, pirâmide e poliedros convexo e não convexo Quatro esquemas mostram um prisma triangular com duas bases, uma pirâmide quadrangular com faces laterais, um bloco convexo e um prisma de base côncava com a reentrância marcada. Linhas tracejadas indicam somente arestas ocultas. prisma triangularpirâmide quadrangularconvexonão convexo basebaseface lateralfaces lateraisbasereentrância
As bases e faces laterais estão indicadas; a marca vermelha mostra a reentrância. O desenho ilustra, mas não demonstra, a convexidade.

Diagonais de face e diagonais espaciais

Uma diagonal de face une dois vértices não consecutivos de uma mesma face. Uma face de n lados possui:

dface = n(n − 3)2

Se as faces têm diferentes quantidades nf de lados, o total é:

Dfaces = Σf nf(nf − 3)2

Cada diagonal de face é contada uma única vez. Em uma superfície poliédrica usual, ela não é aresta.

Para um poliedro convexo, adotamos: diagonal espacial é o segmento que une dois vértices não adjacentes que não pertencem a uma mesma face. A convexidade garante que o segmento permaneça no sólido.

Os C(V,2) pares de vértices se dividem em arestas, diagonais de faces e diagonais espaciais. Assim:

Despacial = V(V − 1)2 − A − Dfaces

A fórmula pressupõe um poliedro convexo simples, com faces encontrando-se apenas como definido no início. Em poliedros não convexos, alguns autores ainda exigem que o interior do segmento fique dentro do sólido; por isso não aplicaremos a fórmula geral a eles.

Aresta, diagonal de face e diagonal espacial no cubo Um cubo mostra uma aresta azul, uma diagonal de face dourada e uma diagonal espacial vermelha ligando vértices opostos. arestadiagonal de facediagonal espacialcubo: 4 espaciais
No cubo, C(8,2) = 28 pares: 12 arestas, 12 diagonais de faces e 4 diagonais espaciais.

Prismas e pirâmides

Prisma de base n-gonal

Possui duas faces congruentes e paralelas, chamadas bases; faces laterais paralelogrâmicas; e arestas laterais paralelas e congruentes. Há n vértices em cada base, n arestas em cada base e n arestas laterais, além de duas bases e n faces laterais.

V = 2n    A = 3n    F = n + 2
  • Reto: arestas laterais perpendiculares aos planos das bases.
  • Oblíquo: arestas laterais não perpendiculares às bases.
  • Regular: prisma reto cujas bases são polígonos regulares.

Um prisma triangular regular tem bases equiláteras e faces laterais retangulares: possui dois tipos de face e, portanto, não é um poliedro regular de Platão.

Pirâmide de base n-gonal

Possui uma base poligonal, um vértice exterior ao plano da base chamado ápice e n faces laterais triangulares que unem o ápice aos lados da base. Há n vértices na base mais o ápice; n arestas da base mais n laterais; e a base mais n faces triangulares.

V = n + 1    A = 2n    F = n + 1
  • Reta regular: base regular e projeção ortogonal do ápice no centro da base.
  • Oblíqua: essa projeção não coincide com o centro da base.
  • Tetraedro regular: caso especial com quatro faces triangulares equiláteras congruentes.

Uma pirâmide regular escolar não é necessariamente um poliedro de Platão: suas faces laterais podem ser triângulos isósceles diferentes da base.

FamíliaVAF
Prisma n-gonal2n3nn + 2
Pirâmide n-gonaln + 12nn + 1

Diagonais espaciais em prismas e pirâmides

No prisma convexo n-gonal, as duas bases somam n(n − 3) diagonais e as n faces laterais quadrangulares somam 2n. Portanto, Dfaces = n(n − 1). Como V = 2n e A = 3n:

Despacial = C(2n,2) − 3n − n(n − 1) = n(n − 3)
PrismanDiagonais espaciais
Triangular30
Quadrangular, incluindo o cubo44
Pentagonal510
Hexagonal618

Em uma pirâmide, todo par ápice–vértice da base é uma aresta, e todo par de vértices da base pertence à própria base. Logo:

Despacial da pirâmide = 0

Pegadinha importante. Nenhuma pirâmide possui diagonal espacial segundo a definição adotada, mesmo quando a base tem muitas diagonais.

Contagem por incidências

As igualdades desta seção valem para uma superfície poliédrica fechada, em que cada aresta pertence exatamente a duas faces.

Face–aresta

Se Fk é a quantidade de faces com k lados, somar os lados de todas as faces conta cada aresta duas vezes:

Σk≥3 kFk = 2A

Com 4 faces triangulares e 3 quadrangulares, 2A = 4·3 + 3·4 = 24, então A = 12, caso a superfície exista. Se houvesse 5 triângulos e 2 quadriláteros, a soma seria 15 + 8 = 23; por ser ímpar, não poderia valer 2A, e a configuração fechada seria impossível.

Vértice–aresta

Se gv é o grau do vértice v, cada aresta contribui com dois extremos:

Σv gv = 2A

Se todos os vértices têm grau q, então qV = 2A. Por exemplo, se A = 30 e todos os vértices têm grau 5, 5V = 60 e V = 12.

Face–vértice

Somar o número nf de vértices de cada face também fornece Σnf = 2A, pois cada face poligonal tem tantos vértices quanto lados. Em um poliedro convexo simples, o número de faces incidentes em um vértice coincide com seu grau. Se exatamente q faces se encontram em cada vértice, qV = 2A.

Condições necessárias de incidência

Em um poliedro convexo, cada face tem pelo menos três lados e em cada vértice incidem pelo menos três arestas. Por isso:

3F ≤ 2A    e    3V ≤ 2A

Essas desigualdades são necessárias, não suficientes. Elas podem eliminar uma proposta, mas não constroem nem garantem a existência do poliedro.

Teste rápido: se a soma dos lados das faces ou a soma dos graus é ímpar, a configuração fechada é impossível, pois 2A sempre é par.

Poliedro regular convexo

Um poliedro regular convexo satisfaz simultaneamente:

  • todas as faces são polígonos regulares congruentes;
  • o mesmo número de faces encontra-se em cada vértice;
  • o arranjo local das faces é o mesmo em todos os vértices.

Faces apenas regulares ou apenas congruentes não bastam. “Prisma regular” e “pirâmide regular” descrevem famílias por outras convenções e não significam automaticamente “poliedro regular”.

Observação sobre semirregularidade

“Poliedro semirregular” recebe convenções diferentes na literatura. No contexto dos sólidos arquimedianos, considera-se um poliedro convexo com faces poligonais regulares, possivelmente de mais de um tipo, e com o mesmo arranjo de faces ao redor de cada vértice. Não adotaremos aqui uma convenção sobre incluir ou excluir prismas e antiprismas.

Condição angular local

Em um vértice convexo, a soma dos ângulos planos das faces incidentes deve ser menor que 360°. Se fosse igual, as faces ficariam planas localmente; se fosse maior, não formariam um vértice convexo.

Por que existem somente cinco?

Se cada face é um p-ágono regular e q faces se encontram em cada vértice, então p, q ≥ 3. O ângulo interno de cada face é:

α = (p − 2)·180°p

A condição qα < 360° equivale a:

1p + 1q > 12
  • Se p = 3, então q = 3, 4 ou 5.
  • Se p = 4, então q = 3.
  • Se p = 5, então q = 3.
  • Se p ≥ 6, cada ângulo tem pelo menos 120°; três deles já somam pelo menos 360°.

As únicas possibilidades locais são (3,3), (3,4), (3,5), (4,3) e (5,3). A desigualdade limita os casos; a existência é confirmada pelas construções conhecidas dos cinco sólidos.

Os cinco poliedros de Platão

NomeFace regularpqFAV
Tetraedrotriângulo equilátero33464
Cuboquadrado436128
Octaedrotriângulo equilátero348126
Dodecaedropentágono regular53123020
Icosaedrotriângulo equilátero35203012

Para faces p-gonais e q faces por vértice, as incidências verificam pF = 2A e qV = 2A. No icosaedro, 3·20 = 2A dá A = 30; depois, 5V = 60 dá V = 12.

Os cinco poliedros de PlatãoProjeções tridimensionais dos cinco poliedros regulares convexos, com quatro, oito, seis, vinte e doze vértices e com seis, doze, doze, trinta e trinta arestas, respectivamente.tetraedrocubooctaedrododecaedroicosaedro
Os desenhos são esquemáticos; regularidade depende de faces regulares congruentes e do mesmo arranjo em cada vértice. Figura ilustrativa, sem escala.

O diagrama é uma representação em perspectiva. A regularidade vem das definições métricas e combinatórias, não do modo como o desenho parece.

Poliedros duais

O dual é obtido trocando faces por vértices e vértices por faces, preservando as incidências. Assim, F e V trocam de lugar, A permanece igual e os parâmetros p e q são trocados.

PoliedroDualTroca
TetraedroTetraedroAutodual
CuboOctaedro(p,q): (4,3) ↔ (3,4)
DodecaedroIcosaedro(p,q): (5,3) ↔ (3,5)

Exemplo: o cubo tem (F,A,V) = (6,12,8); seu dual, o octaedro, tem (F,A,V) = (8,12,6).

Antecipação: Relação de Euler

Para poliedros convexos, as contagens também satisfazem V − A + F = 2. Nesta página, a fórmula é apenas uma antecipação: sua demonstração, suas hipóteses precisas e suas consequências serão estudadas na próxima aula.

V − A + F = 2

Os exercícios desta aula foram construídos para serem resolvidos por definições, fórmulas de famílias, diagonais e incidências, sem exigir Euler.

Contagem necessária não garante existência

Uma proposta de dez faces pentagonais fornece 10·5 = 2A e A = 25. Isso é somente uma condição necessária: ainda não há construção nem garantia de que os vértices e faces possam ser encaixados.

Condições a verificar: ΣkFk = 2A; Σgv = 2A; integralidade e não negatividade; no mínimo três lados por face e grau 3 por vértice; desigualdades de incidência; conectividade; compatibilidade local; convexidade; e Euler, quando já apresentado e aplicável.

Mesmo satisfazer todas as contagens conhecidas pode não fornecer, por si só, uma realização geométrica. É preciso verificar a estrutura de incidências e a realizabilidade.

Impossibilidade conclusiva

Se a soma dos lados das faces é ímpar, não existe A inteiro com ΣkFk = 2A. A contradição prova impossibilidade.

Compatibilidade limitada

Obter A inteiro apenas mostra que o primeiro teste foi superado. Não identifica o sólido nem prova que ele existe.

Estratégia para questões de contagem

  1. Identifique se a superfície é fechada.
  2. Liste os tipos de faces e suas quantidades.
  3. Some os lados de todas as faces.
  4. Divida por 2 para obter A.
  5. Se houver graus, use Σgv = 2A.
  6. Use fórmulas específicas de prismas ou pirâmides quando a família for conhecida.
  7. Use Euler somente depois de apresentado e quando suas hipóteses forem satisfeitas.
  8. Verifique integralidade, grau mínimo e número mínimo de lados por face.
  9. Para diagonais espaciais, retire arestas e todas as diagonais de faces dos pares de vértices.
  10. Não conclua a forma apenas por V, A e F.

Pegadinhas e condições de validade

  • Confundir a superfície bidimensional com o sólido e seu interior.
  • Aplicar ΣkFk = 2A a uma superfície aberta.
  • Afirmar que toda interseção de faces é aresta; ela também pode ser vazia ou um vértice.
  • Confundir aresta, diagonal de face e diagonal espacial.
  • Esquecer as diagonais das faces ao contar diagonais espaciais.
  • Achar que uma pirâmide possui diagonal espacial.
  • Chamar prisma regular ou pirâmide regular de poliedro de Platão.
  • Dizer que faces regulares, sozinhas, garantem regularidade.
  • Aplicar uma definição de semirregular sem declarar a convenção.
  • Usar A como área em uma fórmula de contagem de arestas.
  • Concluir existência apenas porque A e V são inteiros.
  • Identificar um sólido somente por V, A e F.
  • Usar Euler antes de conhecer suas hipóteses.
  • Concluir convexidade ou regularidade pela perspectiva.

Questões resolvidas passo a passo

1. Prisma hexagonal

Determine V, A, F e o número de diagonais espaciais.

Hipótese: prisma convexo, n = 6.

V = 2n = 12, A = 3n = 18 e F = n + 2 = 8.

Despacial = n(n − 3) = 6·3 = 18.

2. Pirâmide octogonal

Determine V, A, F e as diagonais espaciais.

Com n = 8: V = 9, A = 16 e F = 9.

Todo par com o ápice é aresta; pares da base pertencem à base.

Logo, Despacial = 0.

3. Faces mistas

Uma superfície fechada possui 4 faces triangulares e 3 quadrangulares. Determine A, caso exista.

2A = 4·3 + 3·4 = 24.

A = 12.

É uma condição necessária; não prova existência.

4. Impossibilidade por paridade

Pode uma superfície fechada ter 5 faces triangulares e 2 quadrangulares?

A soma de lados é 5·3 + 2·4 = 23.

Seria necessário 2A = 23, impossível para A inteiro.

Logo, essa superfície fechada não existe.

5. Diagonais do cubo

Separe as diagonais de faces das espaciais.

As 6 faces quadradas têm 2 diagonais cada: Dfaces = 12.

C(8,2) = 28 e A = 12.

Despacial = 28 − 12 − 12 = 4.

6. Incidências no icosaedro

Há F = 20 faces triangulares e q = 5 faces em cada vértice.

3F = 2A: 60 = 2A; A = 30.

5V = 2A = 60; V = 12.

As contagens verificam a tabela.

7. Identificação regular

Um poliedro regular convexo possui 8 faces triangulares e q = 4.

A regularidade é hipótese explícita.

O par é (p,q) = (3,4).

Logo, trata-se do octaedro regular.

8. Dual do cubo

Determine o dual e suas contagens.

O cubo tem (F,A,V) = (6,12,8).

No dual, F e V trocam, e A permanece.

Obtemos (8,12,6): o octaedro.

9. Classificação por (p,q)

Qual regular convexo corresponde a (5,3)?

As faces são pentágonos regulares e três encontram-se em cada vértice.

O par (5,3) está entre os cinco possíveis.

Ele corresponde ao dodecaedro.

10. Contagens não identificam

Uma superfície fechada tem 8 faces triangulares e todos os vértices de grau 4. O que se conclui?

3·8 = 2A dá A = 12.

4V = 2A = 24 dá V = 6.

As contagens coincidem com o octaedro, mas sem regularidade não o identificam.

Exercícios

Fácil

1. Qual afirmação distingue corretamente superfície e sólido poliédrico?

A) Ambos significam somente o interior.B) A superfície é a fronteira; o sólido inclui fronteira e interior.C) A superfície tem volume e o sólido tem apenas área.D) São sempre objetos planos.
Fácil

2. Pela convenção desta aula, duas faces são adjacentes quando:

A) são congruentesB) têm áreas iguaisC) compartilham uma arestaD) compartilham apenas um vértice
Fácil

3. Um sólido poliédrico é convexo quando:

A) todas as faces parecem regularesB) não há arestas tracejadas no desenhoC) possui somente faces triangularesD) todo segmento entre dois de seus pontos fica no sólido
Fácil

4. Segundo a definição adotada, uma pirâmide n-gonal possui quantas diagonais espaciais?

A) 0B) nC) n(n − 3)/2D) 2n
Médio

5. Uma face com 9 lados possui quantas diagonais?

A) 18B) 21C) 27D) 36
Médio

6. Um prisma heptagonal possui, respectivamente, (V,A,F):

A) (7,14,9)B) (14,21,9)C) (14,14,7)D) (9,21,14)
Médio

7. Quantas diagonais espaciais possui um cubo?

A) 2B) 6C) 12D) 4
Médio

8. Uma superfície poliédrica fechada tem 4 faces triangulares e 3 quadrangulares. Pelas incidências:

A) A = 12, condição necessária caso a superfície existaB) A = 24 e a existência está provadaC) A = 7 e o sólido é um prismaD) A = 12 e o formato é único
Médio

9. Uma superfície fechada tem A = 30 e todos os vértices de grau 5. O valor de V é:

A) 6B) 10C) 12D) 30
Difícil

10. Se existir um poliedro convexo com V = 10, A = 17, 4 faces triangulares, 3 quadrangulares e 2 pentagonais, quantas diagonais espaciais terá?

A) 10B) 12C) 14D) 28
Difícil

11. Uma superfície fechada tem 8 faces triangulares, 6 quadrangulares e todos os vértices de grau 3. O que as incidências permitem concluir?

A) A = 48 e V = 16, e a existência é certaB) A = 24 e V = 8, identificando um cuboC) A = 12 e V = 16, identificando um prismaD) A = 24 e V = 16 como condições necessárias, sem provar existência
Difícil

12. Analise: I. Em superfície fechada, ΣkFk = 2A é necessária. II. Obter A inteiro garante existência. III. V, A e F identificam unicamente o sólido. IV. Mesmo incidências compatíveis podem exigir teste de realizabilidade.

A) apenas IB) apenas II e IIIC) apenas I e IVD) I, II, III e IV
Difícil

13. Em um poliedro regular convexo com faces pentagonais, o único valor possível de q é:

A) 3B) 4C) 5D) 6
Difícil

14. O dual de um dodecaedro tem (F,A,V) e nome iguais a:

A) (12,30,20), dodecaedroB) (8,12,6), octaedroC) (20,12,30), icosaedroD) (20,30,12), icosaedro
Difícil

15. Uma superfície fechada tem 8 faces triangulares e todos os vértices de grau 4. A conclusão rigorosa é:

A) é necessariamente um octaedro regularB) A = 12 e V = 6, mas as contagens não provam que seja um octaedroC) A = 24 e V = 12, logo é um icosaedroD) a configuração é impossível por paridade

Gabarito comentado:

1-B: a superfície é a fronteira bidimensional; o sólido contém também o interior tridimensional.

2-C: faces adjacentes compartilham uma aresta inteira pela convenção adotada.

3-D: convexidade é definida pela permanência de todos os segmentos entre pontos do sólido.

4-A: pares com o ápice são arestas e pares da base pertencem à base; não sobra diagonal espacial.

5-C: 9(9 − 3)/2 = 27.

6-B: para n = 7, V = 2n = 14, A = 3n = 21 e F = n + 2 = 9.

7-D: C(8,2) − 12 arestas − 12 diagonais de faces = 28 − 24 = 4.

8-A: 2A = 4·3 + 3·4 = 24, então A = 12; essa incidência é necessária, não suficiente.

9-C: Σgv = 2A fornece 5V = 60 e V = 12.

10-B: Dfaces = 0 + 3·2 + 2·5 = 16; logo Despacial = C(10,2) − 17 − 16 = 12, sob as hipóteses dadas.

11-D: 2A = 8·3 + 6·4 = 48 dá A = 24; 3V = 48 dá V = 16. São condições necessárias.

12-C: I e IV são verdadeiras; integralidade e as três contagens globais não garantem existência nem unicidade.

13-A: para p = 5, a condição 1/p + 1/q > 1/2 permite somente q = 3.

14-D: no dual, F e V trocam e A permanece; (12,30,20) torna-se (20,30,12), o icosaedro.

15-B: 3·8 = 2A dá A = 12 e 4V = 24 dá V = 6. Sem a hipótese de regularidade, não se identifica o octaedro.

Resumo final

  • A superfície é a fronteira; o sólido inclui superfície e interior.
  • Faces, arestas e vértices formam a estrutura, e grau conta arestas incidentes.
  • Convexidade é uma propriedade de segmentos, não da aparência do desenho.
  • Dfaces = Σnf(nf − 3)/2 e Despacial = C(V,2) − A − Dfaces, sob as hipóteses declaradas.
  • Prisma: (V,A,F) = (2n,3n,n+2); pirâmide: (n+1,2n,n+1).
  • Em superfícies fechadas, ΣkFk = 2A e Σgv = 2A.
  • Regularidade exige faces regulares congruentes e o mesmo arranjo em cada vértice.
  • Os pares possíveis são (3,3), (3,4), (3,5), (4,3) e (5,3).
  • Tetraedro é autodual; cubo–octaedro e dodecaedro–icosaedro são pares duais.
  • Condições necessárias não garantem existência, e V, A e F não identificam automaticamente o sólido.