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Conceito de função

Relações, pares ordenados e imagens

Compreenda o conceito de função, seus conjuntos, classificações e representações, conectando pares ordenados, flechas, fórmulas, tabelas e gráficos.

Exemplos iniciais

Antes de formular a definição, compare relações diferentes entre os mesmos conjuntos:

A = {0, 1, 2, 3}B = {-1, 0, 1, 2, 3}

Uma relação de A em B é formada por pares ordenados (x, y), com x em A e y em B. Observe o que acontece com cada valor de x:

RelaçãoPares ordenadosAnálise
R: y = x + 1{(0, 1), (1, 2), (2, 3)}O elemento 3 de A não possui correspondente em B. Não é função.
S: y² = x²{(0, 0), (1, 1), (1, -1), (2, 2), (3, 3)}O elemento 1 de A está ligado a 1 e a -1. Não é função.
T: y = x{(0, 0), (1, 1), (2, 2), (3, 3)}Cada elemento de A aparece uma vez como primeira coordenada. É função.
V: y = (x - 1)² - 1{(0, 0), (1, -1), (2, 0), (3, 3)}Cada elemento de A possui um único correspondente. É função.
W: y = 2{(0, 2), (1, 2), (2, 2), (3, 2)}Todos podem chegar ao mesmo valor, desde que cada x tenha apenas uma imagem. É função.

As mesmas relações no esquema de flechas

Leia cada flecha como um par ordenado: a origem é a primeira coordenada x e o destino é a segunda coordenada y.

R y = x + 1

Relação R em diagrama de flechasZero aponta para um, um aponta para dois, dois aponta para três e do elemento três não parte flecha.AB0123-10123

Não é função: o elemento 3 de A ficou sem imagem.

S y² = x²

Relação S em diagrama de flechasO elemento um aponta simultaneamente para menos um e para um.AB0123-10123

Não é função: o elemento 1 de A possui duas imagens.

T y = x

Relação T em diagrama de flechasCada elemento de A aponta para o elemento de B que possui o mesmo valor.AB0123-10123

É função: de cada elemento de A parte uma única flecha.

V y = (x - 1)² - 1

Relação V em diagrama de flechasZero e dois apontam para zero, um aponta para menos um e três aponta para três.AB0123-10123

É função: imagens repetidas são permitidas.

W y = 2

Relação W em diagrama de flechasTodos os elementos de A apontam para o elemento dois de B.AB0123-10123

É função: uma função pode ser constante.

Questão central: por que T, V e W são funções, enquanto R e S não são? A definição a seguir identifica exatamente essa diferença.

Definição de função

Dados dois conjuntos não vazios A e B, seja f ⊆ A × B uma relação de A em B. Dizemos que f é uma função quando, para todo x pertencente a A, existe um único y pertencente a B associado a x.

f ⊆ A × B
f é função de A em B ⇔ ∀ x ∈ A, ∃! y ∈ B tal que (x, y) ∈ f

Em outras palavras: escolha qualquer elemento x de A. Deve existir uma, e somente uma, correspondência ligando esse x a algum elemento y de B. Se um elemento de A ficar sem correspondente ou estiver ligado a dois ou mais elementos de B, a relação não é função.

Como ler cada parte da definição

f ⊆ A × B

Lemos “f está contido em A × B”. Isso quer dizer que f é uma relação formada por pares ordenados (x, y), com x em A e y em B.

∀ x ∈ A

Significa “para todo x de A”. Portanto, nenhum elemento do conjunto A pode ser ignorado.

∃! y ∈ B

Significa “existe um único y em B”. O símbolo ∃ garante que há uma imagem; o sinal ! garante que essa imagem é única.

(x, y) ∈ f

O par (x, y) pertence à relação f. No diagrama, isso é representado por uma flecha que parte de x e chega a y.

Aplicando aos exemplos anteriores:

  • R falha na existência: o elemento 3 de A não aparece em nenhum par.
  • S falha na unicidade: o elemento 1 de A aparece nos pares (1, 1) e (1, -1).
  • T, V e W satisfazem as duas condições: todo elemento de A aparece e possui uma única imagem.

Toda função é uma relação binária e, portanto, um conjunto de pares ordenados. A recíproca não é verdadeira: uma relação só será função se cumprir simultaneamente as duas condições.

Importante: a verificação é feita sobre os elementos de A. Elementos diferentes de A podem ter a mesma imagem em B.

Esquema de flechas

O esquema de flechas traduz os pares (x, y): cada flecha parte do primeiro elemento x, em A, e termina no elemento y correspondente, em B.

1
Existência

Todo elemento de A precisa ter uma seta de saída.

2
Unicidade

De cada elemento de A deve partir somente uma seta.

Compare os quatro casos

Primeiro veja os dois erros que impedem uma relação de ser função. Depois compare com situações permitidas, mesmo quando as imagens se repetem.

Quando não é função

Um elemento de A ficou sem imagem

Relação que deixa a entrada d sem imagem Os elementos a, b e c possuem setas, mas nenhuma seta parte de d. AB abcd 12345

× Não é função

d pertence ao domínio, mas não possui imagem.

Um elemento de A possui duas imagens

Relação em que partem duas setas da entrada b Todas as entradas possuem seta, mas b aponta simultaneamente para 2 e 3. AB abcd 12345

× Não é função

A entrada b não pode produzir 2 e 3 ao mesmo tempo.

Situações permitidas

Elementos diferentes têm a mesma imagem

Função com saídas repetidas Cada entrada possui uma seta. a e b apontam para 2; c e d apontam para 4. AB abcd 12345

✓ É função

Repetir imagens é permitido: cada elemento de A continua associado a um só elemento de B.

Todos os elementos de A têm a mesma imagem

Função constante Cada elemento de A possui exatamente uma seta e todas apontam para o valor 3. AB abcd 12345

✓ É função

Uma função pode ser constante; elementos não atingidos de B não causam problema.

Ordem de verificação: percorra A elemento por elemento. Não conte quantas setas chegam a B; verifique quantas setas partem de cada elemento de A.

Gráfico cartesiano

Também podemos decidir se uma relação é função observando seu gráfico. Para cada x do domínio A, trace mentalmente uma reta vertical.

Uma interseção

Gráfico encontrado uma vez por uma reta verticalUma reta vertical tracejada cruza a curva em somente um ponto.xy

É função: para esse x existe um único ponto do gráfico.

Duas interseções

Gráfico encontrado duas vezes por uma reta verticalUma reta vertical tracejada cruza uma curva fechada em dois pontos.xy

Não é função: o mesmo x está associado a dois valores de y.

Nenhuma interseção

Gráfico não encontrado por uma reta vertical do domínioA reta vertical tracejada passa por uma lacuna entre duas partes do gráfico.xyx₀ ∈ A

Não é função de A em B: um x do domínio ficou sem imagem.

Teste da reta vertical: a relação é função de A em B quando toda reta vertical traçada por um x pertencente a A encontra o gráfico em exatamente um ponto.

Como ler a notação de função

f: A → B
x ↦ f(x)

Lemos “f é uma função de A em B” e “x é levado a f(x)”. Cada símbolo tem um papel específico:

f: nome da função.

x: elemento escolhido no domínio A.

f(x): imagem de x no contradomínio B.

Considere f(x) = 2x + 3.

Para x = 4, substituímos x por 4 na lei.

f(4) = 2 · 4 + 3 = 11.

Leitura correta: f(x) é o valor da função f no elemento x; não significa f multiplicado por x.

Domínio

O domínio é o conjunto de todas as entradas permitidas para a função. Na escrita f: A → B, o conjunto A é o domínio.

D(f) = A

Em outras palavras: antes de calcular uma função, precisamos saber quais valores podem ocupar o lugar de x.

Quando o domínio não é informado

Procuramos o maior subconjunto dos números reais em que todas as operações da fórmula fazem sentido.

  • Denominador: não pode ser zero, pois não existe divisão por zero.
  • Raiz de índice par: o valor dentro da raiz deve ser maior ou igual a zero para que o resultado seja um número real.
  • Logaritmo: o valor dentro do logaritmo deve ser maior que zero. Por exemplo, log(x − 4) exige x − 4 > 0; portanto, x > 4.

Exemplo 1 — combinando duas restrições

Considere a função:

h(x) = √(x + 2)/(x − 1)
  1. Observe a raiz: para √(x + 2) ser um número real, o valor dentro da raiz não pode ser negativo.
  2. Escreva a condição: x + 2 ≥ 0. Agora, passamos o +2 para o outro lado, onde ele aparece como −2. Isso equivale a subtrair 2 dos dois lados da desigualdade. Assim, obtemos x ≥ −2.
  3. Observe o denominador: x − 1 não pode ser zero. Então, x − 1 ≠ 0 e, portanto, x ≠ 1.
  4. Junte as condições: x pode ser qualquer número maior ou igual a −2, com exceção do número 1.

Conclusão: D(h) = [−2, 1) ∪ (1, +∞). Relembre a notação de intervalos.

Por exemplo, x = 0 é permitido. Já x = −3 torna o valor dentro da raiz negativo, e x = 1 produz divisão por zero.

Exemplo 2 — quando o problema restringe o domínio

Uma papelaria vende cada caderno por R$ 5,00. Se x é a quantidade de cadernos comprados, o preço total é:

P(x) = 5x

Olhando somente para a fórmula, poderíamos substituir x por qualquer número real. Porém, neste problema, x representa uma quantidade de cadernos inteiros.

Assim, x não pode ser negativo nem fracionário: não faz sentido comprar −2 cadernos ou 1,5 caderno.

Neste contexto: D(P) = {0, 1, 2, 3, ...}.

Contradomínio

O contradomínio é o conjunto de chegada declarado para a função. Na escrita f: A → B, ele é representado por B.

f: A → B

Em outras palavras: B reúne todos os valores que podem ser considerados como destinos da função, mesmo que alguns deles não sejam atingidos.

O contradomínio faz parte da definição da função. Mudar B pode alterar a classificação da função como sobrejetora ou bijetora.

Imagem

A imagem é formada somente pelos elementos do contradomínio que são realmente produzidos por alguma entrada do domínio.

Im(f) = {f(x) : x ∈ D(f)}   e   Im(f) ⊆ B

Em outras palavras: no diagrama, a imagem é formada pelos elementos de B que recebem pelo menos uma flecha. Por isso, Im(f) ⊆ B: toda imagem está dentro do contradomínio, mas nem todo elemento do contradomínio precisa ser atingido.

Domínio, contradomínio e imagem da função f de x igual a x mais umO domínio A contém zero, um e dois. O contradomínio B contém um, dois, três e quatro. Três setas paralelas mostram zero indo para um, um indo para dois e dois indo para três. Os valores um, dois e três estão destacados como imagem, enquanto quatro não é atingido. Domínio AContradomínio Bf(x) = x + 1 Imagem = {1, 2, 3} 012 1234não atingido
Domínio: {0, 1, 2}Contradomínio: {1, 2, 3, 4}Imagem: {1, 2, 3}

Como determinar a imagem

  1. Em uma tabela ou diagrama, reúna as saídas que aparecem.
  2. Em uma fórmula, investigue quais valores de y podem ser produzidos.
  3. No gráfico, observe todos os valores alcançados no eixo y.

Exemplo com fórmula: g(x) = x² + 1, com x real.

Como x² ≥ 0, temos g(x) ≥ 1, e o valor 1 ocorre em x = 0.

Logo, Im(g) = [1, +∞).

Função injetora

Uma função é injetora quando entradas diferentes do domínio sempre produzem imagens diferentes.

f(x₁) = f(x₂) ⇒ x₁ = x₂

Em outras palavras: duas entradas diferentes não podem chegar à mesma saída. No diagrama, cada elemento atingido em B recebe no máximo uma flecha.

Diagrama de uma função injetoraTrês elementos de A apontam para três elementos diferentes de B. Um quarto elemento de B não é atingido. AB
Cada entrada chega a uma saída diferente; pode sobrar elemento no contradomínio.

Exemplo: f: ℝ → ℝ, dada por f(x) = 2x + 1, é injetora.

Se f(a) = f(b), então 2a + 1 = 2b + 1. Retirando 1 dos dois lados e dividindo por 2, obtemos a = b.

Já g(x) = x², de ℝ em ℝ, não é injetora, pois g(−1) = g(1) = 1: duas entradas diferentes produziram a mesma imagem.

Função sobrejetora

Uma função é sobrejetora quando todos os elementos do contradomínio são atingidos por pelo menos uma entrada do domínio.

Im(f) = B

Em outras palavras: nenhum elemento de B fica sem receber flecha. Duas ou mais entradas podem chegar à mesma saída; isso não impede a sobrejetividade.

Diagrama de uma função sobrejetoraQuatro elementos de A apontam para três elementos de B. Todo elemento de B recebe pelo menos uma flecha. AB
Todo o contradomínio é atingido, mesmo com duas entradas chegando à mesma saída.

Exemplo: considere f: ℝ → [0, +∞), dada por f(x) = x².

Todo número y do contradomínio satisfaz y ≥ 0. Escolhendo x = √y, temos f(x) = (√y)² = y. Portanto, todo elemento do contradomínio é atingido.

Se declarássemos a mesma lei como f: ℝ → ℝ, ela não seria sobrejetora, porque nenhum número negativo seria produzido.

Função bijetora

Uma função é bijetora quando é injetora e sobrejetora ao mesmo tempo.

injetora + sobrejetora ⇒ bijetora

Em outras palavras: cada elemento de B recebe exatamente uma flecha. Nenhuma saída é compartilhada por entradas diferentes e nenhuma saída fica sem ser atingida.

Diagrama de uma função bijetoraTrês elementos de A apontam, um a um, para os três elementos de B. Todos os elementos de B são atingidos exatamente uma vez. AB
A correspondência é um a um e todo elemento de B é alcançado.

Exemplo: f: ℝ → ℝ, dada por f(x) = 2x + 1, é bijetora.

Ela é injetora porque entradas diferentes produzem imagens diferentes. Além disso, para qualquer y real, existe uma única entrada x = (y − 1)/2 que produz esse valor.

A função x² também se torna bijetora quando declarada de [0, +∞) em [0, +∞): nesse domínio ela não repete imagens e atinge todo o contradomínio.

Não confunda os testes: a reta vertical verifica se a curva representa uma função; a reta horizontal ajuda a verificar se uma função é injetora. A classificação sempre depende do domínio e do contradomínio declarados.

Variável independente e variável dependente

Na escrita y = f(x), x é normalmente a variável independente e y é a variável dependente, pois o valor de y é determinado pelo valor atribuído a x.

x → f(x) = y

Em y = 5x, x pode representar a quantidade comprada e y, o preço total.

Se x = 3 unidades, y = 5·3 = 15.

O preço total depende da quantidade.

Os nomes das variáveis podem mudar conforme o problema: tempo e distância, lado e área, produção e custo.

Uma função, várias representações

Fórmula, tabela, pares ordenados, diagrama e gráfico são linguagens diferentes para a mesma associação. Para não se perder, acompanhe um único exemplo em todas elas.

Regra
f(x) = 2x + 1
lei que determina y a partir de x
Tabela
xf(x)
01
13
25
Pares ordenados
{(0, 1), (1, 3), (2, 5)}
cada par tem a forma (x, f(x))
GráficoTrês pontos da função f de x igual a 2x mais 1Os pontos zero vírgula um, um vírgula três e dois vírgula cinco estão alinhados.(0,1)(1,3)(2,5)xy

Se as representações descrevem a mesma função, todos os valores precisam concordar. Por exemplo, a fórmula fornece f(2) = 5, exatamente como a tabela, o par (2, 5) e o ponto do gráfico.

Teste da reta vertical: um gráfico representa uma função quando cada valor de x encontra no máximo um ponto do gráfico. Duas interseções na mesma vertical indicam duas saídas para uma entrada.

Como ler as informações de um gráfico

Depois de confirmar pelo teste vertical que o desenho representa uma função, leia a curva sempre da esquerda para a direita. O gráfico reúne informações sobre entradas, saídas e comportamento.

Gráfico ilustrativo com zeros, valor no eixo y e mínimoUma curva em forma de vale cruza o eixo x em dois pontos, cruza o eixo y abaixo de zero e possui um ponto mínimo.zerozerof(0)mínimoxyf(x) > 0f(x) < 0
Exemplo ilustrativo: os conceitos valem para qualquer tipo de função, não apenas para essa curva.

Ponto (a, b): significa que f(a) = b.

Interseção com o eixo y: ocorre em (0, f(0)), quando 0 pertence ao domínio.

Zeros: são os valores de x em que f(x) = 0; aparecem sobre o eixo x.

Sinal: acima do eixo x, f(x) > 0; abaixo, f(x) < 0.

Crescimento: a curva sobe conforme x aumenta; no decrescimento, ela desce.

Máximos e mínimos: são valores extremos de y e ajudam a determinar a imagem.

Leitura por intervalos: uma mesma função pode crescer em uma parte do domínio, decrescer em outra e permanecer constante em outro trecho. As aulas de cada tipo de função desenvolverão essas características em seus próprios gráficos.

Gráfico de uma função injetora

Aplicamos o teste da reta horizontal: se qualquer reta horizontal encontrar o gráfico no máximo uma vez, a função é injetora.

Gráfico de uma função injetoraA metade direita da parábola y igual a x ao quadrado, com domínio formado pelos números não negativos. Uma reta horizontal encontra o gráfico uma única vez. xyf: [0, +∞) → ℝ, f(x) = x²x < 0 fora do domínio1 encontro
Apenas a parte x ≥ 0 da parábola pertence ao gráfico. Por isso, cada altura é encontrada no máximo uma vez.

O que observar: a linha horizontal destacada encontra somente um ponto. Isso mostra que aquela saída pertence a uma única entrada.

Gráfico de uma função sobrejetora

Consideramos somente as alturas que pertencem ao contradomínio. Cada uma delas deve encontrar o gráfico pelo menos uma vez.

Gráfico de uma função sobrejetoraA parábola y igual a x ao quadrado com contradomínio não negativo. Uma reta horizontal positiva encontra o gráfico em dois pontos, e toda altura não negativa é alcançada. xyf: ℝ → [0, +∞), f(x) = x²contradomínio: y ≥ 02 encontros
Toda altura y ≥ 0 é atingida. A reta destacada encontra dois pontos, mostrando que esta função é sobrejetora, mas não injetora.

O que observar: a linha horizontal destacada encontra dois pontos. Isso é permitido: o essencial é que nenhuma altura do contradomínio fique sem ser atingida.

Gráfico de uma função bijetora

Toda reta horizontal correspondente a um valor do contradomínio deve encontrar o gráfico exatamente uma vez.

Gráfico de uma função bijetoraUma reta crescente que representa a função dois x mais um. Uma reta horizontal encontra o gráfico exatamente uma vez. xyf: ℝ → ℝ, f(x) = 2x + 11 encontro
Cada altura real corresponde a um único ponto: a função não repete imagens e atinge todo o contradomínio.

O que observar: há um encontro para cada altura: nenhuma imagem se repete e nenhum valor do contradomínio fica sem ser alcançado.

Como calcular f(a)

Para encontrar f(a), substituímos x por a em toda a lei de formação. Quando a entrada é negativa, usamos parênteses.

f(x) = x² - 3x + 2.

f(-2) = (-2)² - 3(-2) + 2.

f(-2) = 4 + 6 + 2 = 12.

O resultado f(a) é a imagem de a pela função f.

Entrada negativa: use parênteses em toda substituição. Em f(-a), troque cada x por (-a) antes de efetuar potências e produtos.

Exemplos comentados

Agora vamos usar as ideias da aula em situações completas. Em cada exemplo, a solução mostra primeiro o que precisa ser observado, desenvolve o raciocínio e somente no fim apresenta a conclusão.

Decidindo se uma relação é função

Problema. Considere A = {0, 1, 2, 3}, B = {0, 1, 2, 3} e T = {(0, 0), (1, 1), (2, 2), (3, 3)}. T é uma função de A em B?

  1. Comece pelo domínio A.

    Para ser função de A em B, cada elemento de A precisa aparecer como primeira coordenada de um par.

  2. Verifique a existência.

    As entradas 0, 1, 2 e 3 aparecem nos pares. Portanto, nenhuma entrada ficou sem uma saída.

  3. Verifique a unicidade.

    Cada entrada aparece uma única vez: 0 produz 0, 1 produz 1, 2 produz 2 e 3 produz 3. Nenhuma entrada produz duas saídas diferentes.

Conclusão: T é função de A em B, pois todo elemento de A possui exatamente uma imagem em B.

Compare: {(0, 0), (1, 1), (1, 2), (2, 2), (3, 3)} não seria função, porque a entrada 1 produziria duas saídas: 1 e 2.

Separando domínio, contradomínio e imagem

Problema. Seja f: {-2, 0, 2} → {0, 1, 4, 9}, definida por f(x) = x². Determine o domínio, o contradomínio e a imagem.

  1. Leia os conjuntos declarados.

    O conjunto antes da seta é o domínio: D(f) = {-2, 0, 2}. O conjunto depois da seta é o contradomínio: B = {0, 1, 4, 9}.

  2. Calcule a saída de cada entrada.
    f(-2) = (-2)² = 4    f(0) = 0² = 0    f(2) = 2² = 4
  3. Reúna somente os resultados obtidos.

    As saídas foram 4, 0 e 4. Em um conjunto, valores repetidos são escritos apenas uma vez. Logo, Im(f) = {0, 4}.

Conclusão: D(f) = {-2, 0, 2}, o contradomínio é {0, 1, 4, 9} e Im(f) = {0, 4}. Os números 1 e 9 pertencem ao contradomínio, mas não à imagem porque nenhuma entrada os produz.

Encontrando o domínio permitido por uma fórmula

Problema. Determine o domínio real de h(x) = √(x + 2)/(x - 1).

  1. Analise a raiz quadrada.

    Nos números reais, o valor dentro da raiz não pode ser negativo. Por isso, precisamos impor x + 2 ≥ 0.

    Passamos o +2 para o outro lado, onde ele aparece como −2. Isso equivale a subtrair 2 dos dois lados:

    x + 2 ≥ 0   ⇒   x ≥ −2
  2. Analise o denominador.

    Uma divisão por zero não existe. Portanto, x − 1 não pode ser zero.

    x − 1 ≠ 0   ⇒   x ≠ 1
  3. Combine as condições.

    Podemos usar todos os números a partir de −2, incluindo −2, mas precisamos retirar o número 1.

Conclusão: D(h) = [-2, +∞) ∖ {1}. Por exemplo, h(-2) existe, mas h(1) não existe porque produziria divisão por zero.

Classificando uma função sem confundir os testes

Problema. Classifique f: ℝ → [0, +∞), definida por f(x) = x², como injetora, sobrejetora ou bijetora.

  1. Teste a injetividade.

    Entradas diferentes não podem produzir a mesma imagem. Porém, f(-2) = 4 e f(2) = 4. Como −2 e 2 são entradas diferentes com a mesma imagem, f não é injetora.

  2. Teste a sobrejetividade.

    Todo elemento do contradomínio [0, +∞) precisa ser atingido. Dado qualquer y ≥ 0, podemos escolher x = √y. Então f(x) = (√y)² = y.

  3. Verifique se é bijetora.

    Para ser bijetora, a função precisaria ser injetora e sobrejetora ao mesmo tempo. A primeira condição falhou.

Parábola sobrejetora, mas não injetoraO gráfico de x ao quadrado com contradomínio não negativo. Uma reta horizontal encontra a parábola em dois pontos. xyf: ℝ → [0, +∞), f(x) = x²todas as alturas y ≥ 0 são atingidas2 encontros
A faixa verde representa o contradomínio. Toda altura dessa faixa alcança a parábola, mas a horizontal destacada encontra duas entradas diferentes.

Conclusão: f é sobrejetora, mas não é injetora; portanto, não é bijetora.

No gráfico: toda altura y ≥ 0 encontra a parábola, mas uma altura positiva normalmente a encontra em dois pontos. Veja a demonstração gráfica.

Entendendo por que os conjuntos mudam a classificação

Problema. Considere a mesma lei f(x) = x², agora com f: [0, +∞) → [0, +∞). O que muda?

  1. Observe a restrição do domínio.

    A entrada não pode mais ser negativa. Assim, o par de entradas −2 e 2, que antes produzia a mesma imagem, deixou de existir no domínio.

  2. Teste a injetividade.

    Para x ≥ 0, a função x² é crescente. Entradas diferentes desse domínio produzem imagens diferentes. Logo, f é injetora.

  3. Teste a sobrejetividade.

    Para qualquer y ≥ 0 do contradomínio, x = √y também é não negativo e satisfaz f(x) = y. Logo, f é sobrejetora.

Parábola restrita ao domínio não negativoSomente a metade direita da parábola pertence ao gráfico. Cada reta horizontal não negativa a encontra uma única vez. xyf: [0, +∞) → [0, +∞), f(x) = x²x < 0 não pertence ao domínio1 encontro
A parte cinza foi retirada pelo domínio x ≥ 0. Agora cada altura do contradomínio encontra exatamente um ponto do gráfico.

Conclusão: com domínio e contradomínio [0, +∞), a função passa a ser bijetora. A lei x² não mudou; o que mudou foram os conjuntos entre os quais ela atua.

Confirmando que uma função é bijetora

Problema. Mostre que f: ℝ → ℝ, definida por f(x) = 2x + 1, é bijetora.

  1. Teste a injetividade.

    Suponha que f(x₁) = f(x₂). Então 2x₁ + 1 = 2x₂ + 1. Retirando 1 dos dois lados e dividindo por 2, obtemos x₁ = x₂. Portanto, uma mesma imagem não vem de duas entradas diferentes.

  2. Teste a sobrejetividade.

    Escolha qualquer y real e procure uma entrada que o produza:

    y = 2x + 1   ⇒   x = (y − 1)/2

    Como (y − 1)/2 é real para todo y real, todo elemento do contradomínio é atingido.

  3. Una os resultados.

    A função é simultaneamente injetora e sobrejetora.

Gráfico da função bijetora dois x mais umUma reta crescente atravessada uma única vez por uma reta horizontal. xyf: ℝ → ℝ, f(x) = 2x + 1exatamente 1 encontro
Qualquer horizontal encontra a reta uma vez: nenhuma imagem se repete e nenhuma altura real fica sem ser atingida.

Conclusão: f é bijetora. No gráfico, cada reta horizontal encontra a reta y = 2x + 1 exatamente uma vez.

Conectando fórmula, tabela, pares e gráfico

Problema. Represente f(x) = 2x + 1 para x = −1, 0 e 2 e explique como as representações se relacionam.

  1. Calcule as imagens.
    f(-1) = -1    f(0) = 1    f(2) = 5
  2. Monte a tabela.
    xf(x)
    −1−1
    01
    25
  3. Escreva os pares ordenados.

    {(−1, −1), (0, 1), (2, 5)}. Cada par possui o formato (entrada, imagem).

  4. Leve os pares ao plano cartesiano.

    O gráfico deve passar pelos pontos (−1, −1), (0, 1) e (2, 5). Ao ligar esses pontos, obtemos parte da reta descrita pela fórmula.

Pontos calculados no gráfico de dois x mais umA reta dois x mais um passa pelos pontos menos um menos um, zero um e dois cinco. xy(−1, −1)(0, 1)(2, 5)f(x) = 2x + 1
Os três pares da tabela aparecem como pontos da mesma reta. A primeira coordenada posiciona o ponto horizontalmente; a segunda, verticalmente.

Conclusão: fórmula, tabela, pares ordenados e gráfico não são funções diferentes; são maneiras diferentes de apresentar a mesma função.

Lendo valores e zeros diretamente do gráfico

Problema. Um gráfico contém o ponto (3, −2) e cruza o eixo x nos pontos (−1, 0) e (4, 0). O que essas informações significam?

  1. Leia o ponto (3, −2).

    A primeira coordenada é a entrada e a segunda é a imagem. Portanto, quando x = 3, a função vale −2: f(3) = −2.

  2. Leia os encontros com o eixo x.

    Todo ponto do eixo x possui segunda coordenada igual a zero. Assim, f(−1) = 0 e f(4) = 0.

  3. Identifique os zeros.

    Os valores de x que tornam f(x) = 0 são chamados zeros ou raízes da função. Neste caso, os zeros são −1 e 4.

Leitura de um ponto e dos zeros de uma funçãoUma curva cruza o eixo x em menos um e quatro e contém o ponto três menos dois. xy−14(3, −2)zerozero
Os pontos laranja marcam os zeros, onde y = 0. O ponto azul mostra a leitura f(3) = −2 pelas linhas-guia.

Conclusão: o gráfico informa tanto imagens específicas, como f(3) = −2, quanto os valores de x em que a função se anula.

Pratique sozinho

Resolva sem consultar os exemplos. Depois, use o gabarito comentado para localizar exatamente onde seu raciocínio acertou ou precisa ser revisto.

Fácil

1. Uma função associa cada elemento do domínio:

A) a exatamente uma imagemB) a duas imagens diferentesC) somente a ele mesmoD) a nenhum valor
Fácil

2. Na escrita f: A → B, o conjunto A é:

A) a imagemB) o domínioC) o contradomínioD) o gráfico
Fácil

3. Se o ponto (2, 5) pertence ao gráfico de f, então:

A) f(5) = 2B) f(2) = 2C) f(2) = 5D) x = 5
Fácil

4. Se f(x) = x² - 1, então f(-2) é:

A) -5B) -3C) 1D) 3
Fácil

5. Duas entradas diferentes podem possuir a mesma imagem. Isso:

A) sempre impede que exista uma funçãoB) não impede, por si só, que seja funçãoC) torna a função bijetoraD) elimina o domínio
Média

6. Em A = {1, 2, 3}, a relação 1 → a, 2 → b e 3 → b tem domínio:

A) {1, 2, 3}B) {a, b}C) {a, b, c}D) {b}
Média

7. Na relação da questão anterior, a imagem é:

A) {1, 2, 3}B) {a, b}C) {a, b, c}D) {b}
Média

8. Por que {(1, 2), (1, 3), (2, 4)} não representa uma função?

A) a saída 4 aparece uma vezB) falta o número 3 no domínioC) a entrada 1 possui duas saídasD) existem três pares
Média

9. O domínio de h(x) = √(x + 2)/(x - 1) é:

A) ℝB) (-∞, -2]C) [-2, +∞)D) [-2, +∞) ∖ {1}
Média

10. Se uma reta vertical encontra uma curva em dois pontos, essa curva:

A) é bijetoraB) é sobrejetoraC) não representa y como função de xD) é sempre constante
Difícil

11. A função f: ℝ → ℝ, f(x) = x², é:

A) injetora e sobrejetoraB) apenas injetoraC) apenas sobrejetoraD) nem injetora nem sobrejetora
Difícil

12. A função f: ℝ → [0, +∞), f(x) = x², é:

A) injetora, mas não sobrejetoraB) sobrejetora, mas não injetoraC) bijetoraD) não é função
Difícil

13. A função f: [0, +∞) → [0, +∞), f(x) = x², é:

A) somente injetoraB) somente sobrejetoraC) bijetoraD) não é função
Difícil

14. Se toda reta horizontal encontra o gráfico no máximo uma vez, a função é:

A) injetoraB) constanteC) necessariamente sobrejetoraD) não definida
Difícil

15. Se cada altura do contradomínio encontra o gráfico exatamente uma vez, a função é:

A) somente injetoraB) somente sobrejetoraC) constanteD) bijetora
Avançada

16. Considere f: {-2, 0, 2} → {0, 1, 4}, com f(x) = x². A classificação correta é:

A) injetora e sobrejetoraB) injetora, mas não sobrejetoraC) nem injetora nem sobrejetoraD) bijetora
Avançada

17. Um gráfico contém (3, -2) e possui zeros em -1 e 4. Qual afirmação é correta?

A) f(-2) = 3B) f(3) = -2 e f(-1) = f(4) = 0C) f(0) = 4D) o domínio é {-1, 4}
Avançada

18. Para f(x) = 2x + 1, qual ponto deve aparecer na tabela, nos pares e no gráfico quando x = 3?

A) (3, 7)B) (3, 6)C) (7, 3)D) (2, 5)
Avançada

19. A função f: ℝ → ℝ, f(x) = 2x + 1, é:

A) somente injetoraB) somente sobrejetoraC) bijetoraD) não é função
Avançada

20. Toda altura do contradomínio é atingida, mas uma horizontal pode encontrar dois pontos. A função é:

A) bijetoraB) injetora, mas não sobrejetoraC) não é funçãoD) sobrejetora, mas não injetora

Gabarito comentado:

1-A: cada entrada precisa ter exatamente uma imagem. 2-B: em f: A → B, A é o domínio. 3-C: o par (2, 5) informa f(2) = 5. 4-D: (-2)² - 1 = 4 - 1 = 3. 5-B: repetir uma imagem é permitido; o que não pode ocorrer é uma entrada possuir duas imagens.

6-A: o domínio reúne as entradas 1, 2 e 3. 7-B: somente a e b foram atingidos. 8-C: a primeira coordenada 1 aparece com duas saídas. 9-D: a raiz exige x ≥ -2 e o denominador exclui x = 1. 10-C: duas interseções na mesma vertical fornecem duas saídas para uma entrada.

11-D: x² repete imagens e não produz negativos. 12-B: todo valor não negativo é atingido, mas f(-a) = f(a). 13-C: ao restringir domínio e contradomínio aos não negativos, x² torna-se injetora e sobrejetora. 14-A: esse é o teste horizontal da injetividade. 15-D: exatamente um encontro combina injetividade e sobrejetividade.

16-C: a imagem é {0, 4}; há repetição de 4 e o valor 1 não é atingido. 17-B: pontos fornecem valores da função e zeros possuem saída 0. 18-A: f(3) = 2·3 + 1 = 7. 19-C: a reta não repete imagens e atinge todo número real. 20-D: atingir todo o contradomínio garante sobrejetividade; dois encontros horizontais impedem injetividade.