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Troncos de pirâmide e de cone

Semelhança, áreas, volumes e capacidade

Reconstrua o sólido original, deduza as fórmulas e modele planificações e níveis de líquido com hipóteses explícitas.

Definição e formação por corte paralelo

Um tronco de pirâmide ou de cone é obtido quando um plano paralelo ao plano da base intercepta o sólido entre a base e o ápice. O corte separa um sólido menor semelhante ao original e o tronco restante.

O tronco tem uma base maior e uma menor, situadas em planos paralelos. As bases são semelhantes e homotéticas; sua altura é a distância perpendicular entre esses planos. No tronco de pirâmide, as faces laterais são trapézios. No regular, são trapézios isósceles congruentes. No tronco de cone circular reto, a lateral é curva, as bases são coaxiais e a geratriz é constante.

Superfície × sólido. A superfície reúne bases e lateral; o sólido inclui também o interior, cujo volume será calculado.

Formação de um tronco por corte paralelo e contraexemplo oblíquoUm cone original recebe corte paralelo, separando cone menor e tronco; ao lado, um corte oblíquo em vermelho produz seção inadequada às fórmulas da aula. sólido originalmenor semelhantetronco restantecorte oblíquo: não usar+
Somente o corte paralelo garante uma única razão de semelhança. O corte oblíquo pode produzir bases não semelhantes e medidas laterais diferentes. Esquema sem escala.

Elementos e notação

SímboloSignificado
AM, Amáreas das bases maior e menor
PM, Pmperímetros das bases maior e menor
R, rraios maior e menor, independentemente da posição
hdistância perpendicular entre os planos das bases
ggeratriz do cone ou apótema lateral da pirâmide
H, xalturas do sólido original e do menor retirado
krazão linear: menor/original

Para um tronco próprio: AM > Am > 0 e h > 0. No cone: R > r > 0. Na pirâmide regular, os centros das bases e o ápice original são alinhados; g é a altura de cada trapézio lateral, e não sua aresta oblíqua.

Elementos do tronco de cone e do tronco de pirâmide regularÀ esquerda aparecem raios R e r, centros, eixo, altura h e geratriz g; à direita, bases regulares, apótemas, altura, apótema lateral e aresta lateral. rRh / eixogCmCMhgarestabase menorbase maiorcone circular retopirâmide regular
Linhas douradas indicam alturas perpendiculares; g acompanha a face lateral. R e r indicam tamanho, não posição. Esquema sem escala.

Semelhança entre o sólido menor e o original

O paralelismo torna os sólidos semelhantes. Com k = medida menor/medida original, temos 0 < k < 1:

xH = rR = PmPM = k
AmAM = k²    e    VmVo = k³

Logo, k = √(Am/AM) = ∛(Vm/Vo). Comprimentos e perímetros variam com k; áreas, com k²; volumes, com k³.

Reconstrução das alturas

Como h = H − x e x/H = k, então x = kH e h = H(1 − k). Portanto:

H = h1 − k    x = kh1 − k

No tronco de cone, k = r/R:

H = RhR − r    x = rhR − r

Essas formas exigem R > r. Se R = r, o denominador zera porque nenhum cone finito não degenerado produz esse cilindro por um único corte paralelo.

Derivação do volume geral

Considere AM como a área da base maior, Am a menor, H a altura original, x a parte retirada e h a altura do tronco.

Passo a passo da dedução

  1. Subtraia o volume do sólido menor do volume original. Pela semelhança, Am=k²AM e x=kH.

    V = AMH(1 − k³)/3
  2. Use H=h/(1−k) e fatore a diferença de cubos.

    1 − k³ = (1 − k)(1 + k + k²)
  3. Cancele o fator 1−k.

    V = AMh(1 + k + k²)/3
  4. Substitua AMk=√(AMAm) e AMk²=Am.

    V = h[AM + Am + √(AMAm)]/3
Fórmula final
V = h[AM + Am + √(AMAm)]/3

Hipóteses: bases paralelas, semelhantes e homotéticas; corte paralelo em pirâmide ou cone; h perpendicular às bases; áreas na mesma unidade quadrada.

Volume do tronco de cone circular reto

Substituindo AM = πR² e Am = πr² na fórmula geral, temos √(AMAm) = πRr:

V = πh(R² + Rr + r²)3

Quando V, R e r são conhecidos, h = 3V/[π(R² + Rr + r²)]. Isolar R ou r gera, em geral, uma equação quadrática e exige selecionar a raiz geometricamente admissível.

Geratriz e áreas do tronco de cone

Na seção axial do tronco circular reto, h e R − r são os catetos e g é a hipotenusa:

g² = h² + (R − r)²

A relação não vale globalmente em tronco oblíquo, cujas geratrizes podem ter medidas diferentes.

Área lateral

Se G e gm são as geratrizes dos cones original e menor, a semelhança fornece G = Rg/(R − r) e gm = rg/(R − r). Então:

AL = πRG − πrgm = πg(R² − r²)R − r = π(R + r)g

Área total e recipientes

AT = π(R + r)g + πR² + πr²
  • aberto na base menor: retire πr²;
  • aberto na base maior: retire πR²;
  • sem as duas bases: use somente AL.

Planificação lateral do tronco de cone

A lateral planificada é um setor anular. Para R > r, seus raios externo e interno e seu ângulo central em radianos são:

G = RgR − r    gm = rgR − r    θ = 2π(R − r)g

O arco externo tem comprimento θG = 2πR e o interno, θgm = 2πr. A área θ(G² − gm²)/2 simplifica para π(R + r)g.

Tronco de cone e sua planificação em setor anularO tronco tridimensional liga-se por setas a um setor anular; os arcos externo e interno correspondem às circunferências de raios R e r. troncosetor anulararco = 2πRarco = 2πrgmGângulo θ
Os arcos do setor tornam-se as circunferências das bases durante a montagem. Planificação esquemática, sem escala.

Tronco de pirâmide: caso geral e regular

No caso geral, cada lateral é um trapézio. Se seus lados paralelos são ℓi e mi e sua altura é gi:

AL = Σi (ℓi + mi)gi2

Não se usa um único g quando as alturas dos trapézios diferem. Sempre AT = AM + Am + AL.

No tronco regular, todos os trapézios são isósceles congruentes e têm apótema lateral g. Somá-los fornece:

AL = (PM + Pm)g2

Para n lados de medidas L e ℓ, PM = nL e Pm = nℓ. Se aM e am são os apótemas das bases:

g² = h² + (aM − am

Na face trapezoidal, se q é a aresta lateral:

q² = g² + (L − ℓ)²4

g é a altura do trapézio; (L − ℓ)/2 é a projeção de cada lado oblíquo. Em geral, q ≠ g.

Planificação do tronco de pirâmide

Uma planificação válida reúne as duas bases semelhantes e n trapézios laterais com arestas compatíveis. No caso regular, os trapézios são isósceles congruentes; suas bases são os lados L e ℓ e seus lados oblíquos são as arestas laterais q.

Planificação válida e contraexemplo incompatívelÀ esquerda, quatro trapézios congruentes conectam bases quadradas semelhantes; à direita, um trapézio com base incompatível é marcado como inválido. válida: arestas compatíveisinválida: trapézio diferentebase maiorbase menor
A montagem só fecha quando as arestas que serão unidas têm a mesma medida. As figuras não estão em escala.

Fórmula direta ou diferença de volumes?

MétodoQuando é mais eficiente
Fórmula diretaAM, Am e h são conhecidos e √(AMAm) é simples.
DiferençaA razão k, o sólido original ou suas alturas são dados ou fáceis de reconstruir.

Em problemas longos, calcular Voriginal − Vmenor e comparar com a fórmula direta é uma excelente verificação independente.

Condições e casos-limite

  • Tronco próprio: AM > Am > 0 e h > 0; no cone, R > r > 0.
  • r = 0: deixa de ser tronco próprio e V = πR²h/3, volume do cone.
  • Am = 0: V = AMh/3, volume da pirâmide.
  • R → r: caso-limite cilíndrico: V → πR²h, g → h e AL → 2πRh.
  • AM = Am = A: a extensão algébrica dá V = Ah, caso prismático ou cilíndrico.

R = r não é um tronco próprio produzido por um cone finito não degenerado; é uma extensão ou limite.

Capacidade e dimensões internas

1 cm³ = 1 mL    1 dm³ = 1 L    1 m³ = 1000 L    1 L = 1000 cm³

Capacidade usa dimensões internas. Com espessura, não se deve simplesmente diminuir raios e altura: uma espessura medida na lateral inclinada não equivale a uma subtração vertical. Use dimensões internas fornecidas ou derive-as somente quando a construção estiver determinada.

Recipiente parcialmente cheio

Num recipiente tronco-cônico reto, r é o raio inferior, R o superior, H a altura total e y a altura do líquido desde a base inferior. Por variação linear:

ρ(y) = r + (R − r)yH

O líquido forma um tronco de raios r e ρ(y), altura y:

V(y) = πy[r² + rρ(y) + ρ(y)²]3

Ele não é, em geral, semelhante ao recipiente inteiro, embora pertença ao mesmo cone imaginário prolongado. Para r = 0, forma um cone; para y = H, recupera o volume total.

Nível de líquido em recipiente tronco-cônicoO recipiente tem raios inferior r e superior R, altura H; o líquido alcança altura y e raio rho, variando linearmente. Hyρ(y)Rrρ = r + (R − r)y/Hmetade da altura≠ metade do volume
O raio da superfície livre cresce linearmente com a altura. O volume, porém, não cresce linearmente. Figura sem escala.

Exemplo. Para r = 2, R = 5, H = 6 e y = 3, ρ = 7/2 e V = π[4 + 7 + 49/4] = 93π/4.

Erros que derrubam pontos

  • Trocar altura perpendicular h por geratriz ou apótema g.
  • Associar R à base inferior: R é o raio maior, qualquer que seja a posição.
  • Aplicar o volume a bases não semelhantes ou corte não paralelo.
  • Usar k como razão de áreas ou volumes; as razões são k² e k³.
  • Esquecer a raiz em k = √(Am/AM).
  • Usar R + r no Pitágoras ou R − r na área lateral.
  • Incluir bases ausentes em recipientes abertos.
  • Usar geratriz única no cone oblíquo ou apótema único na pirâmide irregular.
  • Confundir apótema lateral g com aresta lateral q.
  • Chamar R = r de tronco próprio.
  • Afirmar que metade da altura contém metade do volume.
  • Usar dimensões externas para capacidade ou deduzir medidas pela aparência.

Exemplos resolvidos passo a passo

1. Tronco de cone completo

R = 5, r = 2 e h = 4.

g = √[4² + (5 − 2)²] = 5.

AL = π(5 + 2)·5 = 35π e AT = 35π + 25π + 4π = 64π.

V = 4π(25 + 10 + 4)/3 = 52π.

2. Pirâmide quadrada

Bases de lados 10 e 4, h = 8.

AM = 100, Am = 16 e √(AMAm) = 40.

V = 8(100 + 16 + 40)/3.

V = 416 unidades cúbicas.

3. Semelhança e dois métodos

Cone original: R = 6, H = 12; cone retirado: r = 2.

k = 1/3, x = 4 e h = 8.

Diferença: 144π − 16π/3 = 416π/3.

Direta: 8π(36 + 12 + 4)/3 = 416π/3.

4. Pirâmide regular completa

Bases quadradas de lados 10 e 4, h = 4.

aM = 5, am = 2; g = √(4² + 3²) = 5.

AL = (40 + 16)·5/2 = 140; V = 4(100 + 16 + 40)/3 = 208.

AT = 140 + 100 + 16 = 256.

5. Reconstrução pelas áreas

AM = 100, Am = 16 e h = 6.

k = √(16/100) = 2/5.

H = 6/(1 − 2/5) = 10 e x = 4.

V = 6(100 + 16 + 40)/3 = 312.

6. Base menor desconhecida

Base maior quadrada de lado 10, h = 6 e V = 312.

Se s é o lado menor: 312 = 6(100 + s² + 10s)/3.

s² + 10s − 56 = 0, então s = 4 ou s = −14.

Descarta-se a raiz negativa: s = 4.

7. Cone com geratriz dada

R = 8, r = 2 e g = 10.

h = √[10² − (8 − 2)²] = 8.

AL = π(8 + 2)·10 = 100π; AT = 168π.

V = 8π(64 + 16 + 4)/3 = 224π.

8. Nível do líquido

r = 2, R = 5, H = 6 e y = 3.

ρ = 2 + (5 − 2)·3/6 = 7/2.

V = π·3[4 + 7 + 49/4]/3.

V = 93π/4; não é metade da capacidade.

Exercícios

Fácil

1. As fórmulas específicas de troncos desta aula exigem corte:

A) perpendicular ao eixoB) paralelo ao plano da baseC) passando pelo ápiceD) oblíquo à base
Fácil

2. Sobre R e r no tronco de cone, é correto afirmar:

A) R é sempre o raio inferiorB) r é sempre o raio superiorC) a posição define as letrasD) R é o maior e r o menor, qualquer que seja a posição
Fácil

3. Uma capacidade interna de 7 dm³ equivale a:

A) 7 LB) 70 LC) 700 LD) 0,7 L
Médio

4. Se Am/AM = 9/25 e h = 8, então k, H e x valem:

A) 9/25, 12, 4B) 3/5, 12, 20C) 3/5, 8, 12D) 3/5, 20, 12
Médio

5. AM = 100, Am = 16 e h = 8 produzem volume:

A) 312B) 416C) 624D) 832
Médio

6. Para R = 8, r = 2 e g = 10, a sequência (h, AL, V, AT) é:

A) (6, 80π, 168π, 224π)B) (8, 100π, 168π, 224π)C) (8, 100π, 224π, 168π)D) (10, 60π, 224π, 168π)
Médio

7. Tronco de pirâmide regular quadrada: lados 14 e 6, h = 3. Os valores de g, AL e V são:

A) 5, 200 e 316B) 4, 160 e 316C) 5, 400 e 280D) 7, 200 e 392
Difícil

8. No tronco anterior, a aresta lateral q mede:

A) 5B) √41C) √29D) 9
Difícil

9. Um tronco de pirâmide quadrada tem lado maior 10, h = 6 e V = 312. O lado menor é:

A) 2B) 3C) 4D) 6
Difícil

10. Um corte está a 2/5 da altura total, medida desde o ápice. A fração do volume que permanece no tronco é:

A) 2/5B) 3/5C) 8/125D) 117/125
Difícil

11. Recipiente com r = 2, R = 5 e H = 6 está cheio até y = 3. O volume do líquido é:

A) 93π/4B) 39π/2C) 39πD) 117π/4
Difícil

12. Analise: I. A planificação lateral é setor anular e θ = 2π(R − r)/g. II. Quando r → R, g → h e AL → 2πRh. III. Para r = 0, o volume vira o do cilindro. IV. R = r define tronco próprio.

A) apenas IB) apenas I e IIC) apenas II e IIID) I, II, III e IV

Gabarito comentado:

1-B: o paralelismo garante bases semelhantes e o sólido retirado semelhante ao original.

2-D: as letras indicam tamanho, não posição.

3-A: 1 dm³ = 1 L, usando dimensões internas.

4-D: k = √(9/25) = 3/5; H = 8/(1 − 3/5) = 20 e x = 12.

5-B: V = 8(100 + 16 + 40)/3 = 416.

6-C: h = √(100 − 36) = 8; AL = 100π, V = 224π e AT = 168π.

7-A: os apótemas são 7 e 3; g = 5, AL = (56 + 24)·5/2 = 200 e V = 316.

8-B: q² = 5² + [(14 − 6)/2]² = 41.

9-C: s² + 10s − 56 = 0; a raiz positiva é s = 4.

10-D: retira-se (2/5)³ = 8/125; permanece 117/125.

11-A: ρ = 7/2 e V = π[4 + 7 + 49/4] = 93π/4.

12-B: I e II são verdadeiras; r = 0 produz cone, e R = r é somente limite cilíndrico.

Resumo final

TemaRelações essenciais
Semelhançak = √(Am/AM), H = h/(1 − k), x = kh/(1 − k)
Volume geralV = h[AM + Am + √(AMAm)]/3
Cone retog² = h² + (R − r)²; AL = π(R + r)g; AT = AL + πR² + πr²; V = πh(R² + Rr + r²)/3
Pirâmide regularg² = h² + (aM − am)²; AL = (PM + Pm)g/2; AT = AM + Am + AL
  • h é perpendicular; g acompanha a superfície.
  • Áreas variam com k² e volumes com k³.
  • Fórmulas laterais exigem cone reto ou pirâmide regular.
  • Capacidade usa dimensões internas.
  • Nenhuma medida, perpendicularidade ou semelhança deve ser inferida apenas pelo desenho.